O coordenador de campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) e ex-secretário da Secretaria de Relações Institucionais da Bahia (Serin), Adolpho Loyola, cobrou nesta quinta-feira (17) que ACM Neto (União Brasil) explique por que seu nome aparece em apuração da Polícia Federal. Ele classificou os fatos como graves e afirmou que não cabe silêncio diante de questões dessa dimensão.
“Os fatos revelados hoje são graves e precisam ser esclarecidos. Quem se apresenta aos baianos pedindo para governar a Bahia tem a obrigação de explicar, com transparência, por que seu nome aparece numa investigação da Polícia Federal e quais foram, de fato, as suas relações com as pessoas e circunstâncias investigadas. Não cabe antecipar julgamento nem substituir o trabalho das instituições. Mas também não cabe silêncio diante de questões dessa dimensão. A Bahia merece respostas claras”, disse Loyola através das redes sociais.
A manifestação ocorre após os jornalistas Natália Portinari e Fabio Serapião publicarem, em coluna no UOL, que a Polícia Federal solicitou buscas na residência do ex-prefeito, mas o ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, negou a medida. Segundo a reportagem, ACM Neto é investigado sob suspeita de ter indicado o secretário Bruno Barral para a Prefeitura de Belo Horizonte com a função de selecionar empresários em licitações públicas que, posteriormente, gerariam retorno em forma de propina.
Engenheiro eletricista formado pela UFBA, Barral começou na Diretoria de Iluminação Pública e, em setembro de 2017, foi promovido por ACM Neto para comandar a Secretaria Municipal da Educação, uma das maiores estruturas administrativas e orçamentárias do município, sem experiência prévia na área. Permaneceu no cargo até dezembro de 2020, quando o então prefeito, ao fazer o balanço da gestão, o classificou publicamente como uma das “revelações do nosso time”.
Essa relação é o que a Polícia Federal examina agora. Na décima fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17), Barral voltou a ser alvo de busca por contratos da Secretaria de Educação de Belo Horizonte firmados entre 2024 e 2025, quando ele comandava a pasta, que somam mais de R$ 80 milhões. A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal busca e apreensão também contra ACM Neto, investigado sob suspeita de ter participado da indicação de Barral para a capital mineira com o objetivo de favorecer empresários em licitações e receber propina. A Procuradoria-Geral da República foi favorável, e o ministro Kassio Nunes Marques negou.
Através das redes sociais, o ex-prefeito de Salvador classificou como tentativa de interferência eleitoral o vazamento do pedido de busca e apreensão da Polícia Federal, negado pelo Supremo Tribunal Federal. “Está cada vez mais claro que há uma ação orquestrada para interferir no processo eleitoral, com a criação de fatos falsos e mentirosos, tentando associar meu nome a operações suspeitas nas quais não tive nenhum envolvimento. A justiça impediu que prosperasse um novo episódio deste complô”, afirmou.










