O secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), o baiano Éden Valadares, afirmou que o carlismo chegou ao fim na Bahia após as derrotas de ACM Neto para Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo Governo do Estado e de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Em análise publicada nas redes sociais, nesta segunda-feira (26), o petista atribuiu ao ex-prefeito de Salvador a responsabilidade pelo enfraquecimento do grupo político tradicionalmente associado à família Magalhães.
“O carlismo morreu”, escreveu Éden. Segundo ele, a aproximação de ACM Neto com o bolsonarismo descaracterizou o movimento político que marcou a história da Bahia. O petista ressaltou, porém, que o fim do carlismo tradicional não significa o desaparecimento da direita baiana ou da oposição aos governos do PT, mas uma mudança no perfil das forças políticas que disputam espaço no estado.
Na avaliação de Éden, ACM Neto tentou construir uma identidade própria para o carlismo, mas comprometeu esse projeto ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro.
Para o dirigente petista, a associação com o bolsonarismo afastou Neto da tradição política que buscava representar e abriu espaço para uma direita mais diretamente identificada com o movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ao declarar apoio ao filho de Jair, ao rasgar a fantasia do tanto faz, ao subir naquele trio em frente ao Cristo da Barra e dançar com Nikolas, ao mandar Bruno Reis boicotar os ônibus no dia da eleição e, claro, depois de tudo isso, mesmo dar menos % de votos para Flávio do que o primeiro turno, Neto diluiu o que restava de essência carlista no oceano do bolsonarismo e por lá se findou, se misturou, se descaracterizou e virou uma coisa só”, escreveu.
Confira:
O carlismo morreu.
Isso não quer dizer a direita baiana deixou de existir. Nem tampouco que nossos governos deixarão de ter oposição. Longe disso.
Mas é que o carlismo, na sua forma mais tradicional, foi descaracterizado, morto e sepultado no dia de ontem assim que foram abertas as urnas na Bahia, sobretudo, em Salvador.
É consenso que Neto nunca teve o talento e a liderança de ACM, né? Nem o carisma e capacidade de articulação de LEM, seu tio, ok? Mas, sejamos justos, ele parecia trilhar um caminho de identidade própria, um carlismo 2.0 flex, híbrido, que misturava um jeito coronelzinho moderno, uma coisa meio conversador mas antenado, não parecia?
Triste fim. Para consolidar esse movimento, e romper os muros de Salvador, dependia de uma vitória ao Governo do Estado ou a chegada algum Ministério importante em Brasília. O primeiro sonho foi destruído por Jerônimo duas vezes; o segundo pelo próprio ACM Neto ao se abraçar a Flávio Bolsonaro.
O resultado das urnas no segundo turno na capital provam meu argumento: Neto não ajudou Flávio em nada (Flávio teve 27% no primeiro turno e somente 26% no segundo) e abriu uma avenida para o bolsonarismo raiz — negacionista, revisionista, fundamentalista — desfilar e se consolidar como alternativa de poder ao nosso projeto petista na Bahia.
Ao declarar apoio ao filho de Jair, ao rasgar a fantasia do tanto faz, ao subir naquele trio em frente ao Cristo da Barra e dançar com Nikolas, ao mandar Bruno Reis boicotar os ônibus no dia da eleição e, claro, depois de tudo isso, mesmo dar menos % de votos para Flávio do que o primeiro turno, Neto diluiu o que restava de essência carlista no oceano do bolsonarismo e por lá se findou, se misturou, se descaracterizou e virou uma coisa só.
Não escrevo essas linhas com alegria, não. Jamais com tristeza, é verdade, mas não são palavras contentes, ou de superioridade moral, de quem conta vitória. Não, não. É uma percepção. Uma análise concreta do fatos: ACM Neto matou o carlismo.
Minha geração de militantes de esquerda, progressistas ou democratas terá que se acostumar a isso e recalcular a rota. Daqui pra frente nosso adversário na Bahia, assim como é nacionalmente, é o bolsonarismo, pois ACM Neto fez o que parecia impossível: saiu ainda menor dessa eleição.
— Éden Valadares (@edenvaladares) October 26, 2026








