Entidades estudantis da Bahia realizaram, na tarde desta segunda-feira (26), uma manifestação em frente ao Palácio Thomé de Souza, sede da Prefeitura de Salvador, na Praça Municipal. O ato, convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com adesão de grupos ligados à Universidade do Estado da Bahia (Uneb), pede o impeachment e a prisão do prefeito Bruno Reis (União Brasil). A mobilização é um desdobramento direto da crise no transporte público que afetou o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
De acordo com os organizadores, a redução da frota de ônibus prejudicou eleitores que precisavam se deslocar até os locais de votação. Em publicações nas redes sociais, os estudantes criticam Bruno Reis e ACM Neto, aliados de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.
No domingo, ônibus do transporte público de Salvador foram impedidos de sair das garagens. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), as interrupções ocorreram porque sindicalistas colocaram adesivos com o número 13, do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nos veículos. O prefeito Bruno Reis, em entrevista coletiva, afirmou que os ônibus só começaram a circular após a retirada dos adesivos e defendeu o secretário de Mobilidade, Pablo Souza.
A situação gerou uma batalha judicial. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a determinar a prisão em flagrante do secretário Pablo Souza e estipulou multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento da ordem de restabelecimento da frota. No entanto, após a apresentação de recurso pela defesa, o presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, revogou a ordem de prisão. Na decisão, o magistrado destacou que a necessidade de assegurar o transporte durante a votação deixou de existir com o encerramento do pleito, e que a manutenção da ordem feriria o princípio da presunção de inocência.
A Prefeitura informou que Pablo Souza está em missão oficial em Paris, na França, e que retornará à capital baiana nesta segunda-feira (26).
Mobilização virtual
Além do protesto presencial, um abaixo-assinado online que pede o impeachment de Bruno Reis ultrapassou a marca de 250 mil assinaturas em cerca de 24 horas, segundo os organizadores. O documento solicita à Câmara Municipal a abertura de processo de impeachment para apurar a responsabilidade do prefeito pelo comprometimento do transporte público no segundo turno.








