Wagner liga nova tarifa dos EUA a visita de “membros da família Bolsonaro” a Trump

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Congresso e candidato à reeleição, afirmou nesta terça-feira (2) que o anúncio de uma tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos tem relação direta com a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca na semana passada.

“Após visita de ‘membros da família Bolsonaro’ aos EUA, o presidente dos EUA volta a atacar a soberania brasileira com um novo tarifaço e críticas ao nosso Pix”, escreveu o petista em suas redes sociais.

A fala de Wagner faz referência ao encontro do também senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, com o presidente Donald Trump no último dia 26 de maio. O parlamentar fluminense, que enfrenta queda nas pesquisas após a revelação de mensagens em que pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, postou foto ao lado do republicano e permaneceu mais de uma hora e meia no complexo da Casa Branca.

Segundo relatos de pessoas que estiveram no local ao G1, o encontro foi rápido, com Flávio entrando no Salão Oval apenas para uma foto acompanhado do irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, e do influencer Paulo Figueiredo.

A medida tarifária foi anunciada na noite de segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), sob alegação de que práticas brasileiras em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos (incluindo o Pix) e desmatamento ilegal seriam “irrazoáveis” e prejudicariam empresas norte-americanas.

O líder governista foi enfático ao rebater a taxação: “O Brasil é independente e não será capacho de ninguém. Se não quiserem comprar da gente, exportaremos para outros países. E o Pix, orgulho nacional e referência mundial, seguirá funcionando! Vamos defender o nosso Pix!”, completou Wagner.

A tarifa proposta, que pode entrar em vigor em 15 de julho de 2026, prevê exceções para itens como carne bovina, café, terras raras, aeronaves e peças. O governo americano abriu consulta pública até 1º de julho, com audiência marcada para o dia 6.

A viagem de Flávio Bolsonaro a Washington ocorreu poucas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal rival na eleição de outubro, ter se reunido por três horas com Trump em 7 de maio. Ao contrário do encontro de Lula, a agenda de Flávio não constava na programação pública da Casa Branca.

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