Em entrevista à Rádio Metropole nesta quarta-feira (16), o senador Jaques Wagner (PT), candidato ao Senado pela Bahia, criticou a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), que discutia se os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, no âmbito das investigações do Banco Master, seriam reunidos ou mantidos separados. O petista, candidato à reeleição, comparou a reunião a um “Big Brother”.
“Quem assistiu ao debate deve dar uma depressão: ‘Esse é meu país? Minha Suprema Corte?’. Isso é ruim para a democracia. Debate de ideias não é para ser aquele Big Brother que foi ontem”, afirmou.
O petista avaliou que houve “contaminação eleitoral” na decisão de alguns integrantes da Corte. “Ficou claro que está havendo contaminação eleitoral na decisão de alguns ministros daquela Corte. E dizem que, quando a política entra dentro do tribunal, a Justiça sai. São entes diferentes. Quem tem que fazer política é o Executivo e o Legislativo”, disse.
O parlamentar também propôs mudanças no funcionamento do Supremo. Na visão dele, a Casa deve se dedicar a temas constitucionais, sem receber quantidade excessiva de recursos e processos.
Na sessão, Gilmar Mendes defendeu a análise conjunta, posição seguida por Cristiano Zanin e Moraes. O presidente Edson Fachin, o ministro André Mendonça e Luiz Fux votaram pela separação. Cármen Lúcia também havia se manifestado nesse sentido, mas Flávio Dino pediu vista antes da conclusão da votação. O pedido ocorreu depois de uma discussão entre membros do tribunal. Com a interrupção, o placar terminou em 4 a 3 pela separação dos casos. A votação deverá ser retomada após as eleições.
Na entrevista desta quarta, Wagner ainda questionou o que considera exposição seletiva de pessoas citadas nas investigações. Segundo ele, alguns nomes são escolhidos para aparecer antes do pleito, enquanto outros não recebem o mesmo tratamento. “Pega quem interessa antes da eleição. Nos outros grupos que também estão citados no processo, ninguém bole”, afirmou.
Wagner também indagou por que informações relacionadas a Flávio não teriam sido divulgadas, apesar de a investigação existir desde junho. Na avaliação dele, o tema deveria voltar depois das eleições. “Foi feita muita leviandade para atingir com viés político-partidário. Mas, por mim, eu parava, deixava o povo escolher e depois vocês vão lá debater esse tema”, declarou ao avaliar positivamente a suspensão da análise do caso.










