O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) explique o destino dos 24 milhões de dólares — cerca de R$ 130 milhões — supostamente negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A fala ocorreu depois de o petista rebater as tentativas de associá-lo ao ministro Alexandre de Moraes, pivô da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do caso Master.
“O que ele tem que explicar é cadê os 130 milhões que ele pegou do Vorcaro para o filme do seu pai. Aquele filme mequetrefe. Eu quero saber: o Flávio pegou o dinheiro, os R$ 130 milhões? R$ 130 milhões, não foi R$ 13. Não foram R$ 130 mil. Não foi R$ 1 milhão e 300 mil. Foram R$ 130 milhões para fazer um filme ruim ainda. E não explica da onde está esse dinheiro”, cobrou o presidente.
O chefe do Executivo ainda levantou suspeitas, investigadas pela Polícia Federal, de que o valor enviado pelo banqueiro ao fundo Havengate tenha bancado a vida de luxo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
“Era um fundo que saía direto não sei de onde para ir para os Estados Unidos, ou seja, para sustentar o irmão dele que está lá tramando o golpe contra o Brasil. E se ele voltar para o Brasil vai ser preso. Porque traidor da pátria tem que ser preso. Ele está vendendo o Brasil aos interesses americanos”, disse.
Sobre a relação com Moraes, o petista foi direto ao afirmar que não indicou o magistrado. Em pronunciamento no mesmo momento em que começava a sessão de julgamento no STF, nesta terça-feira (15), o senador Flávio Bolsonaro acionou a estratégia de vincular o ministro ao presidente.
“Veja, eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele era senador, ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio Nunes Marques, ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado e não eu”, afirmou.
Indicado por Michel Temer (MDB), Moraes passou por sabatina no Senado em 21 de fevereiro de 2017, quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. Ele só chegou à Casa em 2019, mesmo ano em que o pai assumiu o Planalto. Já Kássio Nunes Marques e André Mendonça, também citados em supostas relações com Vorcaro, foram escolhidos por Jair Bolsonaro e tiveram o aval do então senador. Entre os ministros apontados com ligação com o ex-banqueiro, o único indicado pelo petista foi Dias Toffoli.
O presidente utilizou a declaração do adversário como mais uma “mentira” divulgada pela ultradireita. “Você veja uma coisa, o que que é mentira. Nós estamos vendo aquele julgamento na Suprema Corte. Ontem o meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes, porque a obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas ele não quer brigar com Alexandre de Moraes por causa do banco Master. Ele sabe que tem o rabo preso com o banco Master, mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes sabe, mandou prender o cara que matou a Marielle. A bronca dele do Alexandre de Moraes é que prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Então, esse é o pavor dele. E a bronca dele é porque essa apuração que tá tendo na Suprema Corte vai descobrir quem é de verdade que está metido nisso”, afirmou.
Apesar das críticas, Lula ressaltou que o magistrado “prestou dois grandes serviços à democracia brasileira” e defendeu um julgamento justo para todos os envolvidos no caso Master. “Eu quero dizer para vocês antes de mais nada, todo mundo que cometeu erro cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado sim. O que eu defendo é um julgamento justo com direito de defesa, mas a pessoa cometeu um delito, a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para Alexandre de Moraes, vale para Fachin”, concluiu.










