Uma mensagem encontrada pela Polícia Federal colocou ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, diretamente nas articulações do empresário José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, para ocupar espaços na Prefeitura de Belo Horizonte. Ao receber do então prefeito Fuad Noman uma relação de áreas da administração acompanhada da ordem “Escolhe”, Moura respondeu: “Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. Segundo a CNN Brasil, a PF aponta ACM Neto como o principal investigado nessa frente da Operação Overclean.
A conversa, revelada nesta sexta-feira (18) pela revista Veja, ocorreu em dezembro de 2024, após a reeleição de Fuad. “Rueda” é Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil; “Neto”, ACM Neto, vice-presidente da legenda. Depois de dizer que consultaria os dois, Moura indicou interesse por áreas da administração e pela Educação.
A Secretaria de Educação de Belo Horizonte era comandada desde abril daquele ano por Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador na gestão de ACM Neto. Segundo o UOL, a PF suspeita que Neto tenha participado da indicação de Barral para selecionar empresários em licitações que posteriormente gerariam retorno por meio de propina. Barral foi afastado do cargo em abril de 2025, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), e voltou a ser alvo de busca nesta quinta-feira (17).
A PF chegou a pedir busca e apreensão e bloqueio de bens contra ACM Neto. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à busca, mas o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, negou a medida por considerar insuficiente a base legal apresentada.
Na representação, os investigadores também destacaram centenas de contatos entre ACM Neto e Marcos Moura. Um deles ocorreu no dia em que, segundo a investigação, o empresário operacionalizava uma remessa de R$ 5 milhões em dinheiro vivo. A coincidência temporal do contato não comprova, isoladamente, que Neto tivesse conhecimento da movimentação financeira.
A décima fase da Overclean investiga suspeitas de fraudes em contratos da Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Ao menos três processos sob investigação resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. A PF apura possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitações e , organização criminosa e lavagem de dinheiro.











