O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para examinar a linguagem visual adotada pelo Alô Juca, atração comandada por Marcelo Castro na TV Aratu, afiliada da SBT em território baiano. A medida coloca sob análise a estratégia de comunicar ocorrências criminais com recursos gráficos típicos do imaginário infantil.
No centro da apuração estão ilustrações animadas que transformam o apresentador e seus colegas de bancada em figuras caricatas. Para os procuradores, essa abordagem tem potencial para cativar ou desorientar menores de idade, inserindo-os precocemente em narrativas de violência que ferem a proteção estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
A legislação define salvaguardas rigorosas para esse segmento, e o caso ganha contornos ainda mais sensíveis porque emissoras de televisão funcionam mediante outorga do poder público, condicionada ao cumprimento de diretrizes como a classificação indicativa.
O responsável pelo procedimento, procurador da República Leandro Bastos Nunes, solicitou novos documentos e esclarecimentos para embasar as próximas etapas. Se forem identificadas infrações, o órgão poderá sugerir alterações editoriais no noticiário, formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta ou recorrer a instrumentos judiciais. Até o fechamento desta reportagem, nem Marcelo Castro nem a direção da TV Aratu haviam se manifestado publicamente sobre o tema.









