A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (14) o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A captura aconteceu em Belo Horizonte (MG) durante a sexta etapa da Operação Compliance Zero, apuração que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional.
Autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ofensiva determinou o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 17 ordens de busca e apreensão. As diligências alcançaram São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Justiça também decretou o afastamento de investigados de funções públicas, além do sequestro e bloqueio de ativos.
De acordo com os autos, Henrique Vorcaro não tinha uma participação secundária. Ele é apontado pela corporação como mentor de um esquema informal batizado de ‘A Turma’, criado para pressionar desafetos do filho. As investigações revelam que o empresário mineiro orientava ações, selecionava alvos, solicitava levantamentos de dados e autorizava aproximações mais agressivas. Fundador do Grupo Multipar, conglomerado de engenharia, energia e agronegócio, Henrique atua nos setores de infraestrutura e construção pesada.
O funcionamento do bando seguia uma sequência: identificação de possíveis riscos, coleta de informações pessoais como rotina e endereço, e definição do tipo de investida. A execução das tarefas cabia ao empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
Diálogos interceptados pela PF mostram o teor das instruções. Em certa ocasião, Henrique orienta Mourão a agir contra um chefe de cozinha próximo a um ex-funcionário: “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.” Em outra conversa, ao citar uma pessoa que o estaria ameaçando, ele escreve: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.” Mourão pergunta o que precisava ser feito. A resposta foi direta: “Puxa endereço tudo.”
Além da liderança no grupo, Henrique Vorcaro também foi identificado como parte de manobras financeiras. A Polícia Federal aponta que uma conta em nome do empresário serviu para Daniel Vorcaro ocultar R$ 2,2 bilhões. Os montantes teriam sido escondidos enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) era acionado para cobrir rombos do Banco Master. A apuração sustenta que os recursos ficaram fora do alcance de investidores e credores.
O nome de Henrique já havia surgido em fases anteriores da operação. Decisão do STF mencionou que os valores estavam depositados em uma conta vinculada à CBSF DTVM, antiga Reag, empresa citada em outra investigação sobre lavagem de dinheiro. A companhia nega qualquer ilegalidade.
O empresário também foi citado em um pedido apresentado à Justiça dos Estados Unidos pela liquidante do Banco Master. O documento requer o congelamento de uma mansão na Flórida atribuída à família Vorcaro. Segundo a solicitação, Henrique e Natália Vorcaro teriam empregado uma empresa para adquirir o imóvel em 2023. A transação é vista como possível aplicação de recursos desviados.
Luiz Phillipi Mourão, apontado como executor das ordens, foi alvo de prisão na rodada anterior da investigação. Ele tentou suicídio dentro de uma cela da PF em Minas Gerais e faleceu dias depois. A corporação avalia que os diálogos trocados entre ele e Henrique Vorcaro são provas centrais para compreender a dinâmica do bando e o padrão de atuação adotado. Um agente da Polícia Federal foi preso, e uma delegada teve o gabinete vasculhado; ambos foram afastados de seus cargos.









