A Câmara Municipal de Salvador (CMS) aprovou, na tarde desta quarta-feira (17), o projeto que autoriza o repasse de R$ 80 milhões em subsídios ao sistema de transporte coletivo da capital baiana. A iniciativa, enviada pelo Executivo com caráter emergencial, visa conter um possível reajuste nas tarifas e assegurar a operação contínua dos serviços.
A proposta divide os recursos em duas frentes: R$ 75 milhões serão aplicados no transporte convencional por ônibus, enquanto os R$ 5 milhões restantes ficarão destinados ao sistema complementar. A votação contou com placar favorável da base governista e rejeição unânime da oposição.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) justificou a medida em ofício enviado ao presidente do Legislativo, vereador Carlos Muniz (PSDB), destacando a necessidade de cobrir déficits operacionais e preservar a prestação do serviço à população. A tramitação ocorreu em ritmo acelerado, sob regime de urgência, após o projeto ser encaminhado oficialmente na terça-feira (16).
Durante a 35ª sessão ordinária, os parlamentares debateram exaustivamente os impactos da subvenção. O presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Serviços Públicos, vereador Hélio Ferreira (PCdoB), ponderou que a discussão sobre o futuro da mobilidade urbana não pode se limitar a aportes financeiros pontuais. O edil cobrou avanços em pautas estruturais, como a revisão contratual com as concessionárias, a implantação da tarifa zero e modelos de remuneração por quilômetro rodado, semelhantes ao adotado no metrô.
“Assim como o planejamento de vias para que a população possa ter a opção de deixar seus veículos em casa. Afinal, subsídio anual é apenas um paliativo; são necessárias medidas efetivas que não precarizem ainda mais o transporte público, com tarifas altas e exclusão dos mais vulneráveis”, argumentou o parlamentar.
A vereadora Marta Rodrigues (PT) endossou a análise do colega e salientou a relevância do debate transparente sobre o tema. “Afinal, quem sustenta o sistema são as pessoas em situação de vulnerabilidade, que acabam pagando um preço alto”, declarou a representante do PT, reforçando a necessidade de políticas que priorizem os usuários de baixa renda.









