O ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) rebateu nesta sexta-feira (6) as avaliações de que seu grupo político estaria fragilizado para a disputa pela Prefeitura de Salvador em 2028. Em entrevista à rádio CBN Salvador, Neto reconheceu o avanço do PT na capital baiana, mas sustentou que o resultado da eleição estadual não determina o pleito municipal e criticou o que classificou como “manifestação de ódio político” por parte de lideranças petistas.
A declaração ocorre em um contexto de reorganização das forças políticas na Bahia. No primeiro turno da eleição estadual, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito com 55,80% dos votos válidos, contra 43,72% de ACM Neto — a segunda derrota consecutiva do ex-prefeito em uma disputa pelo Palácio de Ondina. Em Salvador, embora Neto tenha vencido com 54,32% dos votos, o petista avançou em relação a 2022 e alcançou 44,51%, reduzindo a diferença entre os dois de 236.218 votos para 139.074.
Ao comparar o momento atual com eleições anteriores, Neto ressaltou o histórico político de Salvador e apontou que a conjuntura local do seu grupo é mais favorável do que a enfrentada no ciclo municipal anterior. “Eleição estadual não determina necessariamente a eleição municipal, e os grandes exemplos disso aconteceram justamente aqui em Salvador. Nas últimas eleições, o PT ganhou para governador e nunca fez o prefeito da capital. Não há na história de Salvador nenhum episódio onde o PT tenha vencido as eleições para prefeito”, afirmou.
“Quatro anos atrás, quando nós perdemos a eleição para o governo do estado, eles diziam a mesma coisa: que iriam aniquilar Bruno, que iam ganhar a eleição contra Bruno. E o contexto há quatro anos era mais difícil do que o atual. Porque Bruno tinha um problema na Câmara de Vereadores, o presidente era um cara que tinha acabado de se eleger vice-governador com Jerônimo. Agora não: a presidência vai ser escolhida na próxima segunda-feira com um consenso em torno do nome de Alexandre Aleluia”, comparou o ex-prefeito.
O cenário eleitoral na capital também foi impactado pelo posicionamento do grupo político de Neto na eleição presidencial. Após a federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — oficializar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, ACM Neto, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (União Brasil) declararam alinhamento ao candidato do PL.
O movimento, porém, expôs o grupo a questionamentos em uma capital onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve ampla vantagem, mesmo após a desorganização do transporte público que limitou os ônibus em circulação no segundo turno. Na ocasião, Lula saiu vencedor em Salvador com 1.154.072 votos, o equivalente a 73,24% dos votos válidos. Flávio somou 421.752 votos e 26,76% dos válidos. A associação mais explícita ao bolsonarismo pode se tornar um dos pontos de confronto na construção das candidaturas à Prefeitura em 2028.
Na entrevista, o ex-prefeito também minimizou o impacto do cenário nacional sobre a disputa municipal. “Outra diferença importante: Lula havia sido eleito presidente naquele momento com uma expectativa e um cenário econômico muito mais favorável do que tem hoje o Brasil. O PT tendo que fazer muito menos concessões do que vai ter que fazer agora para conseguir governar. Eu diria que vai cair do cavalo quem apostar que, em função do resultado de 2026, já tem alguma coisa decidida para 2028”, afirmou.
“Eles têm um grupo forte, mas nós também temos”, diz Neto
Na entrevista à CBN Salvador, ACM Neto respondeu diretamente às avaliações de opositores que dão como certa a derrota de seu grupo na sucessão municipal. “Se de um lado eles têm um grupo que é forte, a gente reconhece, que tem peso político, do lado de cá nós também temos. E ninguém aqui tem medo, vai se acovardar, vai baixar a cabeça. A gente vai trabalhar”, afirmou.
O ex-prefeito também criticou o que chamou de “manifestação de ódio político” por parte de lideranças petistas. “É lamentável essa manifestação de ódio político. Eu já ganhei e já perdi eleições, sempre que ganhei — e é importante saber ganhar, tem que ter humildade na vida. Em 2012, quando eu ganhei a eleição para prefeito, Salvador estava muito dividida, e no dia seguinte eu comecei a governar para todos. Você não vai ser governador ou prefeito de uma parte das pessoas, e sim do todo. É lamentável que esse tipo de manifestação aconteça, alimentada por Jerônimo, Rui Costa, Jaques Wagner, todas essas figuras do PT da Bahia”, declarou.
A eleição municipal de 2028 ainda está distante e o quadro pode mudar até o início oficial da campanha. Além de Ana Paula Matos, o deputado federal reeleito Léo Prates (Republicanos) figura entre os nomes cotados para a sucessão de Bruno Reis.
O grupo de ACM Neto terá de administrar simultaneamente a derrota estadual do seu principal líder, a redução da vantagem sobre o PT em Salvador e os efeitos políticos do alinhamento à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em uma cidade onde Lula obteve mais de 65% dos votos válidos no primeiro turno, a decisão pode se tornar um dos principais pontos de confronto entre governistas e oposição na construção das candidaturas à Prefeitura.








