A possibilidade de a família Bolsonaro permanecer no comando do país foi determinante para João Amoêdo definir sua preferência eleitoral para 2026. O empresário, que fundou o partido Novo e já apoiou Jair Bolsonaro em uma disputa presidencial, afirmou que escolheu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no confronto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão, segundo sua avaliação, não representa um aval ao governo petista, mas uma tentativa de evitar o que considera um cenário mais preocupante para o futuro político brasileiro.
A declaração publicada nas redes sociais, nesta sexta-feira (23), chama atenção pela trajetória do empresário, que construiu sua atuação política defendendo ideias liberais e fazendo oposição ao Partido dos Trabalhadores. Mesmo insatisfeito com a administração de Lula, Amoêdo entende que os possíveis desdobramentos de uma Presidência liderada por Flávio pesariam mais na escolha.
Na avaliação do fundador do Novo, o atual presidente comprometeu sua gestão com decisões econômicas e políticas que considera equivocadas. A insistência em disputar mais uma eleição também foi criticada, sobretudo diante da idade do petista e da avaliação negativa de seu governo.
O senador do PL, entretanto, recebeu críticas ainda mais contundentes. Amoêdo questionou sua capacidade de liderança, a atuação parlamentar e a experiência para comandar o Executivo federal. Também apontou controvérsias associadas ao nome do candidato e avaliou que suas prioridades poderiam estar ligadas aos interesses de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe.
A posição anunciada pelo empresário contrasta com sua participação na eleição presidencial de 2018. Naquele ano, ele próprio disputou o Palácio do Planalto pelo Novo e terminou a primeira etapa da votação na quinta colocação.
Após o resultado, declarou apoio a Jair Bolsonaro, que concorria pelo PSL contra Fernando Haddad, representante petista no segundo turno. A escolha ocorreu em um período marcado pela forte rejeição ao PT entre setores do eleitorado que defendiam mudanças na política nacional.
Além de avaliar os candidatos, Amoêdo demonstrou insatisfação com a dificuldade de surgirem alternativas competitivas fora dos dois grupos que dominam a disputa política nacional. Para ele, a repetição desse confronto limita o debate sobre propostas e mantém o eleitor diante de uma escolha baseada, principalmente, na rejeição a um dos lados.
O empresário também criticou a substituição de discussões sobre economia, gestão pública e projetos para o país por ataques pessoais entre adversários. Em sua avaliação, tanto o petismo quanto o bolsonarismo contribuíram para aprofundar a divisão política.
Apesar de manifestar preferência pelo atual presidente em uma disputa contra Flávio Bolsonaro, Amoêdo deixou claro que não pretende abandonar sua postura crítica. Ele afirmou que continuará fazendo oposição a qualquer um dos dois candidatos caso seja eleito.
No domingo iremos, pela terceira vez consecutiva, decidir entre o petismo e o bolsonarismo. A minha sensação como cidadão é de frustração e preocupação.
Frustração pela nossa apatia em relação à política, em especial da nossa elite. Fomos incapazes de construir, nos últimos anos, uma alternativa decente e competitiva que nos tirasse dessa armadilha das últimas 3 eleições presidenciais.
Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha.
A discussão de propostas, de um plano para o País e o debate de ideias foram substituídos pelos ataques baixos e pessoais ao oponente. Fica evidente a incapacidade de ambos os lados de construírem uma nação próspera.
O PT inaugurou o nós contra eles, dividindo os brasileiros, e o bolsonarismo, que nasceu já dentro dessa lógica, levou-a a um outro patamar.
A urna, que deveria ser o momento para definirmos o futuro da nação, tornou-se, para muitos, um momento de expressão de raiva.
Lula errou do início ao fim do seu mandato.
Não promoveu o diálogo com quem pensa diferente, indicou amigos para o STF, insistiu na polarização, cercou-se de um núcleo duro despreparado, foi irresponsável com as contas públicas e adotou medidas eleitoreiras de mais gasto público.E, depois de todas essas ações, com baixa aprovação e com as limitações da idade, cometeu o maior erro: resolveu ser candidato pela 4ª vez.
Flávio, por sua vez, não tem absolutamente nada que o credencie a governar o País. Falta postura, credibilidade e competência. Foi um senador sem qualquer iniciativa produtiva na área econômica, na segurança ou na educação. É conhecido apenas pelo sobrenome e pelo envolvimento em inúmeros casos suspeitos: rachadinha, lavagem de dinheiro, proximidade com membros da milícia e com golpistas. Está cercado de conhecidos oportunistas e seu objetivo maior é conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe.
O quadro político definido após o primeiro turno torna o meu sentimento de preocupação ainda maior do que o de frustração.
Lula, se eleito, fará seu último mandato, sem nenhum sucessor definido, tem um vice-presidente com comprovada experiência na gestão pública e, apesar de ter a oportunidade de indicar membros do STF, encontrará forte oposição no Senado.
Flávio, diferentemente, poderá se candidatar à reeleição, tem um vice-presidente desconhecido, terá uma Câmara e um Senado extremamente favoráveis e aliados comandando os principais estados brasileiros.
São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder.
Em 2018 e 2022, declarei o meu voto no segundo turno. Não foram decisões fáceis e sem ônus pessoais, pelo contrário. Nesse ano será ainda mais difícil. Entretanto, não expressar o que penso seria aceitar a ideia de que vivemos em um país onde as pessoas não são livres para emitirem a sua opinião pelo receio de serem agredidas. Não é essa nação que desejo.
Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito, mas, entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção.
— João Amoêdo (@joaodamoedo) October 23, 2026








