Enchente no Nepal deixa dezenas de mortos e centenas de desaparecidos

Foto: Reprodução, redes sociais

A região da fronteira entre Nepal e China é palco de uma catástrofe natural de grandes proporções. Nesta quarta-feira (26), uma enchente arrasou vilarejos, resultando em um saldo preliminar de mais de 30 óbitos e cerca de 400 pessoas não encontradas, número que inclui dezenas de viajantes estrangeiros e pode aumentar no decorrer do dia.

As autoridades locais trabalham contra o tempo para contabilizar os danos, enquanto equipes de resgate enfrentam dificuldades logísticas. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se pronunciou oficialmente sobre a possibilidade de cidadãos brasileiros estarem na lista de vítimas.

A força da correnteza foi tão brutal que testemunhas relataram à agência Reuters que comunidades inteiras foram literalmente engolidas pela água. Imagens chocantes divulgadas pela televisão exibem uma paisagem de destruição: carros sendo levados como brinquedos, pontes de metal retorcidas e arrastadas pelo rio Bhote Koshi, e o que restou de dezenas de residências.

“Não há mais o que salvar. A devastação é total. Os acampamentos que ficavam próximos ao leito do rio foram simplesmente aniquilados. Minha própria família foi atingida, e cinco parentes meus estão desaparecidos”, descreveu à imprensa local Tula Bahadur BK, profissional de saúde da região de Rasuwa, em um relato desolador.

O administrador distrital Narendra Pariyar fez um apelo urgente à população ribeirinha para que busque abrigo em áreas elevadas, antevendo um cenário ainda mais crítico. “Pode haver muitas vítimas ou perda de bens”, alertou a autoridade.

No lado chinês, no condado de Gyirong (Tibete), a situação também é preocupante. Um deslizamento de terra atingiu uma passagem fronteiriça crucial, deixando um rastro de destruição e vitimando fatalmente oito trabalhadores sul-coreanos que atuavam em uma usina hidrelétrica. Conforme a agência estatal Xinhua, o fenômeno teve origem no território nepalês, mas impactou o porto local, causando a interrupção total de estradas, comunicações e fornecimento de energia em Shigatse.

O distrito montanhoso de Rasuwa, que abriga cerca de 50 mil habitantes, figura entre os pontos mais críticos da tragédia. A topografia acidentada tem impossibilitado o pouso de helicópteros de resgate, atrasando o socorro às vítimas. Em resposta à emergência, o primeiro-ministro Balendra Shah garantiu que as forças policiais e militares foram mobilizadas para intensificar as buscas.

Embora a causa exata do desastre ainda seja investigada, especialistas lembram que uma enchente semelhante no mesmo rio, em 2022, foi atribuída ao transbordamento de um lago glacial que derreteu o gelo. A suspeita agora recai sobre um fenômeno climático ou geológico de natureza semelhante, que transformou o rio em uma fúria mortal.

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