A discussão sobre a reativação do Conselho de Segurança em Paulo Afonso, no norte baiano, descambou para um acalorado confronto verbal nesta semana. Durante uma sessão ordinária da Câmara Municipal, o comandante do 20º BPM, tenente-coronel Edson Mascarenhas, e o vereador Jailson Oliveira (PP) trocaram acusações diretas sobre a gestão da segurança pública, colocando em lados opostos a administração estadual e a atuação da tropa.
O que era para ser um debate técnico sobre a implantação de políticas de prevenção ganhou contornos políticos quando o parlamentar direcionou suas críticas ao Palácio de Ondina. Em sua fala, Jailson Oliveira fez uma ligação contundente entre a atual crise na área e a liderança do governador Jerônimo Rodrigues (PT), afirmando que a falta de investimentos seria a raiz do problema.
“A culpa é do governador que vocês aqui defendem. De um governador que quebrou o Estado, que não tem recurso para investir na segurança pública do estado”, disparou o vereador.
A declaração provocou uma reação imediata do oficial da PM, que interrompeu o discurso para rebater ponto a ponto as acusações. O tenente-coronel Edson Mascarenhas ressaltou que, em sua trajetória na corporação, nunca presenciou um volume tão expressivo de recursos destinados à tropa, citando a renovação da frota e o abastecimento de munição como exemplos dessa nova fase.
“Nunca recebeu tanto recurso quanto está recebendo agora. Nunca teve tanta viatura nova como está tendo agora. Nunca teve tanta munição como está tendo agora. Eu também não conheço nenhum local, embora as facções existam — e a gente não pode se afastar de uma realidade brasileira —, eu não conheço um local que a Polícia Militar não entre na Bahia”, afirmou Edson.
Incrédulo com a resposta, Jailson Oliveira contra-atacou utilizando a própria vivência na capital para refutar a tese do comandante. “Eu conheço, Salvador. Vivo em Salvador e nos quatro cantos da Bahia. Vejo a realidade do nosso Estado. E isso é uma realidade no país. Mas, se o senhor quer defender o governador, fique à vontade”, rebateu.
“Não tô defendendo o governador não, tô defendendo a minha instituição, certo? […] Eu não conheço nenhum local do estado que a Polícia Militar não entre. Eu não tô dizendo para o senhor que não existem ações de faccionados, existem. Mas não existe nenhum local conflagrado de uma forma que a Polícia Militar não entre. Isso é fato. Isso é fato”, afirmou.
Ao final do embate, o comandante buscou ajustar o tom sobre a questão orçamentária, admitindo a escassez sem, no entanto, concordar com a tese de que os cofres estariam vazios. “Quando eu falei sobre a questão de recursos, eu acho que o senhor entendeu mal. Eu não disse que a gente não tem recurso. Eu disse que os recursos são escassos”, concluiu.









