A despedida do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante de um dilema estratégico: quem ocupará um dos postos mais sensíveis da engrenagem política em Brasília. O cargo, vital para costurar acordos e assegurar a aprovação de matérias de interesse do Executivo, agora tem pelo menos três cotados, mas nenhum consenso.
Inicialmente, o senador Otto Alencar (PSD-BA) despontava como herdeiro natural da função, respaldado pela proximidade com Wagner e pela trajetória como articulador da base aliada. Contudo, conforme apurou a CNN Brasil, a equipe governista avalia que preservá-lo na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – tida como a mais cobiçada do Senado – pode ser mais vantajoso do que transferi-lo para a liderança.
Com esse cenário, o nome da senadora Teresa Leitão (PT-PE), atual líder da bancada petista, ganhou tração nos bastidores. Outra alternativa forte é Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, que já capitaneia a coordenação das articulações políticas da campanha de Lula no Nordeste. Há ainda quem defenda que o cargo seja ofertado a um parlamentar de partido centrista, numa tentativa de aproximar o Palácio do Planalto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O desafio de Lula se agrava pelo contingente restrito de quadros próprios. Dos nove integrantes da bancada petista na Casa, cinco devem concorrer à reeleição em outubro – o que reduziria sua disponibilidade para as tarefas cotidianas de articulação. O senador Paulo Paim, por sua vez, encerrará seu mandato sem buscar novo pleito. Sobram, portanto, além de Teresa Leitão, os senadores Beto Faro e Camilo Santana como alternativas viáveis dentro da legenda.









