A Polícia Civil da Bahia desmontou, nesta terça-feira (16), uma organização criminosa com atuação no bairro de Águas Claras, em Salvador, e ramificações em Santa Catarina. Batizada de Gênesis, a ofensiva cumpriu ordens judiciais contra 22 envolvidos em ao menos 15 assassinatos registrados na capital baiana entre 2025 e 2026. A corporação ainda recolheu arsenal de armas, entorpecentes e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.
O balanço da mobilização, que durou dois anos de investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por meio da Coordenação de Operações e Inteligência (COI), contabilizou 21 detenções preventivas e uma autuação em flagrante por tráfico. Dois alvos, porém, não sobreviveram ao tentar enfrentar os agentes. Outros cinco já estavam recolhidos em unidades prisionais – três na Bahia e dois em Santa Catarina.
Os policiais percorreram cidades baianas como Salvador e Lauro de Freitas, além de Macaé (RJ) e os catarinenses Balneário Camboriú e Itapema. No Sul do país, sete membros da facção foram localizados: cinco com mandados cumpridos, um detido em flagrante e um morto em tiroteio. Ao todo, 29 buscas e apreensões foram executadas, resultando na captura de armamentos, drogas, documentos, celulares e aparelhos que auxiliarão no avanço das apurações.
Segundo os levantamentos, o bando empregava barricadas, câmeras e drones para vigiar a atuação policial e amedrontar moradores das áreas dominadas. A estrutura, antes concentrada em Águas Claras, expandiu-se para Santa Catarina, onde instalou um núcleo dedicado ao narcotráfico e a execuções.
A principal liderança em liberdade, Rogério de Andrade Gonçalves, 33 anos, foi localizada em Retirolândia. Ao reagir à prisão preventiva, disparou contra as equipes e acabou baleado. Conduzido a um hospital, ele não resistiu. As investigações apontam que o criminoso coordenava as decisões sobre vendas de drogas, assassinatos e demais delitos praticados na região.
Outro alvo estratégico, Rodrigo Ventura dos Santos, 32 anos, morreu em Santa Catarina após confronto semelhante. Considerado peça de confiança da cúpula, ele atuava diretamente no tráfico, na eliminação de adversários, no recrutamento de novos membros e na gerência do poder bélico do grupo.
Em Salvador, foi preso um homem de 54 anos, apontado como responsável pela confecção, ajuste e conservação das armas utilizadas pelos comparsas. Em diligências anteriores, a residência dele já havia sido alvo de apreensões de ferramentas e peças ligadas à atividade. Também caiu na rede um produtor cultural de 53 anos. Conforme as investigações, ele promovia eventos de paredão em Águas Claras para transmitir dados sobre deslocamentos das forças de segurança e intermediar a comunicação entre os integrantes.
A Gênesis representa o aprofundamento das apurações iniciadas com a Operação Saigon, deflagrada em 2023 contra a mesma quadrilha. A mobilização reuniu mais de 300 policiais e 80 equipes, sendo uma das maiores coordenadas pelo DHPP nos últimos tempos. O trabalho contou com suporte do DRACO, DEPOM, DIP, DEPIN, DEIC, DENARC, DPMCV, POLINTER, CORE, Superintendência de Inteligência da SSP/BA e das Polícias Civis do Rio de Janeiro e Santa Catarina.
O inquérito prossegue com exames periciais sobre o material apreendido e a responsabilização criminal dos envolvidos.









