Em meio à repercussão da prisão do empresário Adair Meira, apontado pela Polícia Civil de São Paulo como operador de lavagem de dinheiro para o PCC, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) direcionou críticas ao pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), usando o escândalo ocorrido em Goiás como pivô. A provocação veio após a revelação de que a Fundação Pró-Cerrado, presidida por Meira — preso na última semana em Goiânia —, mantém contratos de R$ 141,5 milhões com o governo de Goiás.
Em publicação nas redes sociais, Geddel ironizou o discurso de segurança pública e a aproximação do pré-candidato baiano com a gestão de Caiado. “Oxi, mas não é na Goiás de Ronaldo Caiado que ‘bandido não se cria’? Não foi lá que o ex-prefeito de Salvador esteve esses dias aprendendo como deve ser a segurança pública? Perguntar não ofende!”, escreveu Geddel, em tom ácido. Ronaldo Caiado deixou no último dia do mês de março o governo de Goiás para concorrer à Presidência da República como candidato da terceira via. Quem assumiu seu lugar foi seu vice, Daniel Vilela (MDB).
A fala do ex-ministro faz referência direta à visita de ACM Neto a Goiânia no início do mês, quando o pré-candidato participou de um evento com Caiado e elogiou publicamente os índices de segurança do estado, classificando o modelo goiano como “referência nacional”. Na ocasião, Neto afirmou que pretendia levar boas práticas de Goiás para a Bahia. Ele também visitou o complexo prisional de Aparecida de Goiânia ao lado do ex-governador e afirmou que o estado “passou por transformação” na segurança pública na gestão do aliado.
O caso que motivou a crítica de Geddel, no entanto, expõe fragilidades na fiscalização de contratos milionários firmados pela administração goiana. Segundo reportagem do UOL, os acordos com a Fundação Pró-Cerrado foram assinados entre 2021 e 2025, já sob a gestão de Caiado, e a entidade presta serviços terceirizados para a Secretaria de Economia do estado. O empresário Adair Meira é investigado por supostamente usar organizações não governamentais para lavar dinheiro para o PCC.
Diante da repercussão, o governo de Goiás informou que abriu uma verificação sobre os contratos, mas afirmou que a prisão de Meira “não envolve a gestão estadual”. Já ACM Neto ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas de Geddel.









