MP investiga Geddel por suspeita de propina em fuga de líder do CV

Foto: Reprodução, redes sociais

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga o ex-deputado federal e ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) por suspeita de envolvimento em um esquema que teria financiado a fuga do traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis, facção associada ao Comando Vermelho no sul do estado.

Segundo reportagem do Jornal Estadão, a apuração tem como base diálogos extraídos de celulares de alvos da Operação Duas Rosas, deflagrada na última quinta-feira (16). Nas conversas, o nome de Geddel aparece citado como “chefe” por interlocutores, entre eles o ex-deputado Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, que firmou acordo de delação premiada.

De acordo com a delatora, o plano de fuga envolvia o pagamento de R$ 2 milhões, dos quais metade — R$ 1 milhão — teria como destinatário o emedebista. O Ministério Público instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar se o ex-ministro teve participação no esquema ou foi beneficiário de valores.

As investigações indicam que o grupo utilizava o termo “rosas” como código para se referir ao dinheiro. Expressões como “chorar as rosas” apareciam em mensagens relacionadas à cobrança e ao pagamento das quantias negociadas. Em um dos diálogos, Uldurico Júnior pressiona a então diretora do presídio pelo repasse dos valores, afirmando que precisava prestar contas ao “chefe”.

A fuga de “Dadá” e outros 15 detentos ocorreu em 12 de dezembro de 2024. Segundo o MP, Joneuma confessou participação no esquema e relatou que facilitava a atuação da facção dentro da unidade prisional, com concessão de regalias como eletrodomésticos, visitas irregulares e livre circulação de internos. Ela também afirmou ter sido ameaçada após o episódio.

Ainda conforme a investigação, parte do dinheiro teria sido paga antecipadamente. Um montante de R$ 200 mil, em espécie, foi entregue em uma caixa de sapatos, com valores posteriormente distribuídos por meio de depósitos e transferências.

Procurado pelo Estadão, Geddel negou qualquer envolvimento. O ex-ministro afirmou que “qualquer um pode ser vítima de uma conversa em que se usa o nome de terceiros” e sustentou que as citações não comprovam participação nos fatos investigados.

“Sempre tratei esse Uldurico com carinho e respeito, mas vejo que se trata de um criminoso. Usou meu nome descaradamente, me vendeu para essa mulher que nunca vi, nunca cumprimentei para tentar acobertar os crimes deles. Isso não é política, é vagabundagem. Espero que a justiça o condene a penas duríssimas. Infelizmente convivemos com figuras que só sabemos que são criminosos quando se descobre que são criminosos”, escreveu Geddel nas redes sociais recentemente.

O Ministério Público segue analisando o material coletado para verificar a extensão das responsabilidades no caso.

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