A implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) tem potencial para se tornar um dos principais vetores de transformação urbana de Salvador nas próximas décadas. Mais do que ampliar a mobilidade na capital baiana, o projeto pode impulsionar a economia, fortalecer o turismo e estimular a requalificação de áreas históricas e comerciais da cidade.
A avaliação é do presidente da Comissão de Turismo da Câmara Municipal de Salvador, vereador João Cláudio Bacelar (Podemos). Segundo o parlamentar, o município precisa aproveitar a chegada do novo modal para construir uma estratégia de desenvolvimento integrada, conectando mobilidade, cultura, comércio, turismo e geração de emprego e renda.
Para Bacelar, grandes obras de infraestrutura alcançam resultados mais amplos quando são acompanhadas por políticas públicas voltadas ao fortalecimento da economia local e à valorização dos atrativos turísticos. “O VLT não deve ser encarado apenas como uma obra de mobilidade. Ele pode se transformar em um importante corredor de desenvolvimento, criando novas oportunidades para o comércio, valorizando equipamentos históricos e ampliando o potencial turístico de Salvador”, afirma.
O vereador defende que a implantação do sistema seja acompanhada de investimentos voltados à qualificação de mercados públicos, feiras tradicionais e espaços culturais localizados ao longo do trajeto. A proposta é ampliar o fluxo de visitantes e criar novas oportunidades para empreendedores e trabalhadores da região.
Entre os equipamentos apontados como estratégicos estão a Feira de São Joaquim, o futuro Mercado São Braz, em Plataforma, além de outros espaços populares que preservam a cultura, a gastronomia e as tradições baianas. Na avaliação do parlamentar, esses locais podem ganhar ainda mais relevância com a melhoria da mobilidade e o aumento da circulação de moradores e turistas.
Economia do mar integra proposta para o Subúrbio
Dentro desse contexto, João Cláudio Bacelar é autor do Projeto de Indicação nº 175/2026, que propõe ao Governo da Bahia a implantação de estruturas náuticas em áreas impactadas pelas obras do VLT de Salvador e da Região Metropolitana, especialmente no Subúrbio Ferroviário.
A iniciativa sugere a inclusão de equipamentos voltados à chamada economia do mar, como rampas públicas para pequenas embarcações e jet skis, guarderias para caiaques, canoas, botes e outras embarcações de pequeno porte, além de estruturas de apoio às atividades marítimas desenvolvidas na região.
A proposta leva em consideração o fato de o traçado do VLT acompanhar uma extensa faixa litorânea do Subúrbio, área historicamente ligada à pesca artesanal, ao transporte marítimo e ao turismo náutico. “O Subúrbio tem uma relação histórica com o mar. Aproveitar as obras do VLT para implantar estruturas de acesso e apoio às atividades náuticas é pensar o desenvolvimento de forma integrada, gerando oportunidades para quem vive e trabalha na região”, destaca o vereador.
Para Bacelar, o debate sobre o VLT precisa ir além da questão da mobilidade e considerar seus impactos estruturantes para a cidade, sobretudo em áreas historicamente menos contempladas pelos grandes investimentos públicos. “Estamos diante da oportunidade de conectar mobilidade, desenvolvimento econômico e inclusão social. O VLT pode fortalecer os mercados públicos, estimular novos negócios, ampliar os roteiros culturais e criar um novo ciclo de crescimento para Salvador, com benefícios diretos para a população”, conclui o presidente da Comissão de Turismo da Câmara Municipal de Salvador.









