Flávio só abrirá sigilos depois de analisar documentos de Lula

Foto: Charles Vieira

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) condicionou a abertura dos sigilos bancário e telefônico do candidato à avaliação prévia do material entregue pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O posicionamento foi informado nesta quinta-feira (22), no mesmo dia em que o comitê petista formalizou na Corte a resposta ao desafio lançado pelo adversário.

Os representantes de Lula desembarcaram no tribunal por volta das 11h. Estavam presentes o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE), os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, e Paulo Pereira, do Empreendedorismo, e a deputada reeleita Camila Jara (PT-MS). Pouco depois, chegaram a advogada Maria Claudia Bucchianeri e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escolhidos para falar em nome de Flávio. Ao entrar, os dois avisaram que pretendiam verificar a “completude” dos documentos apresentados pelo rival antes de entregar os do candidato do PL.

Terminado o encontro entre as duas equipes e integrantes do TSE, aliados de Lula informaram que o presidente e o senador assinaram, este último por procuração, uma petição que prevê a “abertura total e simultânea” dos sigilos, com divulgação em site de acesso público. Ainda assim, o clima permaneceu de troca de acusações. Dallagnol reclamou que os dados de Lula ainda não estavam disponíveis para exame, enquanto petistas criticaram a demora de Flávio em aceitar o “desafio”.

“Se eles trouxerem tudo, a gente traz. Primeiro vou ver se ele trouxe”, declarou Maria Cláudia Bucchianeri. A advogada garantiu que o senador apresentará tudo o que a campanha do presidente pediu: “Não há nenhuma possibilidade de recuo. Vamos trazer e será bastante rápido”.

Dallagnol, por sua vez, afirmou diante do tribunal que a divulgação dos papéis é uma “oportunidade de resgatarmos a Lava Jato”. “Da última vez que analisei os sigilos de Lula ele foi parar na cadeia. […] Vou analisar a completitude dos documentos dele, de seus parentes e de empresas relacionadas a ele, que já foram objetos da Lava Jato”, declarou. Para o ex-procurador, o petista é “especialista” em ocultar patrimônio, e o País tem “direito à transparência completa”.

Dallagnol chefiou a força-tarefa do Ministério Público que atuou na operação, em Curitiba, e deixou a instituição em meio a processos disciplinares, que culminaram na cassação de seu mandato de deputado pela Justiça. Eleito senador pelo Paraná, ele tem a candidatura sub judice e aguarda o julgamento do TSE sobre o deferimento de sua chapa.

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