O processo do famoso caso do Golpe do Pix avançou para a reta final nesta quinta-feira (7), no Fórum Criminal de Salvador, após os réus optarem por permanecer em silêncio durante a audiência de instrução. Entre os acusados estão os jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, apontados como integrantes do esquema investigado por desvio de doações destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade.
A sessão ocorreu um dia após o depoimento de testemunhas ligadas ao caso, incluindo o delegado Charles Leão, responsável pela investigação. Durante a oitiva, ele relatou episódios de ameaça contra uma das vítimas envolvidas no inquérito.
Antes do interrogatório, a defesa de Marcelo Castro tentou suspender a audiência alegando a ausência de uma testemunha considerada essencial. Segundo os advogados, o cinegrafista convocado para depor teria perdido um familiar recentemente e estaria incomunicável. As informações foram divulgadas pelo site BNews.
O pedido, porém, foi rejeitado pelo juiz Waldir Viana. O magistrado afirmou que houve tentativas anteriores de contato com a testemunha e destacou que a própria defesa não apresentou endereço nos autos, limitando-se a informar apenas um telefone. A ausência desses dados inviabilizou até mesmo uma eventual condução coercitiva.
Na decisão, o juiz ainda declarou a preclusão do requerimento e criticou a postura dos advogados, afirmando que “o direito não socorre aos que dormem”. Para ele, a movimentação buscava criar nulidades sem fundamento jurídico.
Em seguida, os defensores levantaram novos questionamentos sobre o andamento da ação. Alegaram que áudios de depoimentos estariam “inaudíveis” e sustentaram não ter tido tempo suficiente para analisar os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) anexados ao processo.
A acusação rebateu os argumentos. O assistente de acusação, o advogado Gamil Foppel classificou a postura como uma tentativa de “procrastinar o processo” e apontou “questionável lealdade processual” por parte das defesas. Segundo ele, toda a documentação estava disponível no cartório judicial para consulta das partes desde etapas anteriores da investigação.
Com a manutenção da audiência, Marcelo Castro, Jamerson Oliveira e os demais investigados decidiram não responder às perguntas. Ainda segundo apuração do BNews, Marcelo Castro e Jamerson Oliveira demonstraram tensão ao longo da sessão, mantendo postura reservada diante das autoridades presentes.
Nos bastidores, a avaliação é de que a defesa tenta reduzir o impacto das acusações sobre Marcelo Castro, concentrando responsabilidades em outros investigados. O adiamento ocorrido anteriormente, entre novembro do ano passado e maio deste ano, também é interpretado por integrantes do processo como uma estratégia para retardar o desfecho judicial.
Com o encerramento da fase de instrução, o caso entra agora no período destinado a diligências complementares das partes e apresentação das alegações finais. Após essa etapa, o juiz poderá proferir sentença.
As investigações apontam que o esquema teria funcionado durante um ano e cinco meses, utilizando campanhas de arrecadação exibidas na televisão para captar recursos destinados a famílias carentes. Segundo a apuração, aproximadamente R$ 543 mil foram arrecadados, mas cerca de R$ 407 mil teriam sido desviados, o equivalente a 75% do total recebido.









