O pré-candidato a deputado federal Dr. Marcelo Emerenciano (Avante) acusou ACM Neto (União Brasil) de tentar transferir ao Governo da Bahia a responsabilidade pela crise do transporte público de Salvador. A reação ocorre após o ex-prefeito afirmar que suas gestões e a de Bruno Reis (União Brasil) não receberam apoio estadual para o setor e prometer que, caso seja eleito governador, apresentará, em três meses, uma solução construída em parceria com a Prefeitura, sem aumentar a passagem.
Emerenciano recorda, no entanto, que transporte coletivo urbano é um serviço cuja organização e prestação cabem, constitucionalmente, ao município. “ACM Neto omite que a origem do desequilíbrio está no modelo de concessão criado por sua própria gestão. Em 2014, a Prefeitura exigiu que as empresas pagassem R$ 180 milhões pelo direito de operar os ônibus da capital. Transformou um serviço essencial em fonte de arrecadação e colocou essa conta dentro do sistema. Foi ACM Neto quem criou o problema que agora tenta atribuir ao Governo do Estado”, disse.
A cobrança de uma outorga desse porte é atípica no transporte municipal e contestada por especialistas, porque acrescenta ao sistema um custo que acaba pressionando a tarifa, reduzindo a capacidade de investimento ou exigindo, posteriormente, subsídios públicos. “Faltou planejamento de quem fez a licitação, assinou os contratos e comandou Salvador durante oito anos. Neto criou a conta como prefeito e agora quer usar o Governo do Estado para pagá-la”, disparou Marcelo.
Marcelo também rebateu a tentativa de apresentar o Estado como ausente da mobilidade de Salvador. O Governo da Bahia assumiu, concluiu e ampliou o metrô, sistema que recebeu R$ 6 bilhões em investimentos, e executa o VLT de Salvador e da Região Metropolitana, empreendimento estimado em R$ 5 bilhões. Juntos, os dois projetos representam R$ 11 bilhões em infraestrutura de transporte sob responsabilidade estadual.
“O Estado já faz a parte mais pesada da mobilidade de Salvador. Entregou o metrô, está construindo o VLT e continua ampliando a integração. A parceria entre Estado e município é importante, mas não pode servir para ACM Neto fugir da responsabilidade pelo contrato que ele criou. Antes de prometer resolver tudo em três meses, ele precisa explicar por que não resolveu o problema e por que inventou uma outorga que sua própria gestão teve de extinguir”, concluiu Marcelo.








