O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu nesta terça-feira (3) os argumentos de representantes de clubes de futebol favoráveis ao retorno das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets. Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro afirmou que sua principal preocupação são os impactos da atividade sobre a saúde da população.
Ao comentar a fala de um representante de um time, que destacou as dificuldades financeiras dos clubes e a necessidade de recursos para manter as equipes, Padilha contrapôs os interesses econômicos do futebol aos problemas enfrentados por pessoas dependentes de jogos.
“Eu ouvi um representante de um time de futebol que acabou de falar que a briga dele são os clubes, o salário, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres: 65% delas têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão viciadas”, declarou.
O ministro também alertou para os riscos associados à saúde mental. Segundo ele, pesquisas apontam que as bets e os jogos eletrônicos aumentam em 15 vezes o risco de suicídio, especialmente entre as mulheres. “A minha briga são as pessoas que se suicidam”, afirmou.
Padilha ainda destacou o crescimento da procura por atendimento relacionado à ludopatia, condição caracterizada pela dependência em jogos de azar. Segundo o ministro, profissionais de saúde têm enfrentado uma demanda cada vez maior de pacientes que precisam de assistência para tratar o vício.
A declaração ocorreu durante audiência pública conduzida pelo ministro Luiz Fux, no STF, para discutir os impactos das apostas e a validade da Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que suspendeu as apostas de quota fixa no Brasil.
O encontro reúne representantes do governo federal, clubes de futebol, entidades esportivas e organizações ligadas ao mercado de apostas. A audiência tem caráter informativo e não prevê julgamento sobre a proibição nesta terça-feira.








