Marighella cobra “investigação profunda” sobre redução de ônibus no 2º turno em Salvador

Foto: Reprodução, redes sociais/mariamarighella

A deputada federal eleita Maria Marighella (PT) classificou como uma “ação deliberada” a programação de intervalos maiores entre viagens de ônibus em Salvador durante o segundo turno das eleições. A declaração foi publicada nesta terça-feira (27), na rede social X, antigo Twitter, após reportagem do jornal O Globo apontar que documentos encaminhados pela Prefeitura ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicavam uma redução na frequência de algumas linhas no domingo de votação.

Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista Bernardo Mello, um ofício enviado às empresas concessionárias em 19 de outubro previa intervalos maiores em itinerários que atendem regiões populares e terminais importantes da capital baiana, como Lapa, Mussurunga e Pirajá.

Entre os casos citados está a linha 1246, que liga Pirajá a Patamares. Para o domingo eleitoral, a previsão era de intervalos de 70 minutos, enquanto a referência para os dias úteis era de 22 minutos. Já na linha 1328, entre as estações Pirajá e Mussurunga, as partidas estavam programadas para ocorrer a cada 40 a 50 minutos, em comparação com os 25 a 30 minutos informados para os dias úteis.

Para Maria Marighella, a documentação divulgada e os relatos de garagens cheias, mesmo após determinação da Justiça Eleitoral, colocam em dúvida a versão apresentada pela Prefeitura de Salvador, que negou ter orientado a redução da circulação dos coletivos.

A parlamentar defendeu uma investigação aprofundada sobre o episódio e a eventual responsabilização dos envolvidos. Ela também manifestou apoio à iniciativa da vereadora Marta Rodrigues (PT), vice-líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador, que propôs a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis omissões e decisões que possam ter prejudicado o livre exercício do voto na capital.

O caso já havia motivado questionamentos do Partido dos Trabalhadores e uma determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) para que a frota de ônibus fosse disponibilizada integralmente durante a votação. Diante das denúncias sobre a circulação reduzida de coletivos, a Justiça Eleitoral também chegou a autorizar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.

Em resposta à imprensa, na manhã desta terça-feira (27), a Prefeitura de Salvador afirmou que manteve no segundo turno a mesma quantidade de ônibus disponibilizada no primeiro. O secretário Pablo Souza argumentou que a operação seguiu o planejamento divulgado oficialmente e que a legislação eleitoral exige uma oferta de transporte compatível com a demanda, sem determinar necessariamente a circulação de 100% da frota.

A gestão municipal também atribuiu parte dos problemas registrados nas primeiras horas da votação a uma ação de apoiadores políticos que teriam realizado um adesivaço em ônibus, atrasando a saída dos veículos das garagens. Souza reconheceu que o episódio provocou impacto operacional, mas afirmou que a secretaria trabalhou para normalizar o serviço até as 10h.

Como parte dos esclarecimentos, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que está encaminhando ao TRE-BA os dados de GPS dos ônibus que circularam na cidade. Os registros poderão auxiliar na verificação dos horários programados e da circulação efetiva dos veículos no dia da eleição.

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