Carlos e Eduardo criticam aliados que só apoiaram Flávio no 2º turno

Foto: Charles Vieira/Divulgação, ACM Neto/Reprodução, redes sociais

Carlos e Eduardo Bolsonaro criticaram aliados que só aderiram à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, em meio a uma disputa sobre lealdade e interesses políticos na direita. Na Bahia, as declarações levantam questionamentos sobre o apoio tardio do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) ao senador, já que, durante o primeiro turno, ele defendia a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência.

A polêmica ganhou força quando Carlos Bolsonaro publicou nas redes sociais que “tudo tem método”, em uma crítica a quem só entrou na campanha no segundo turno e, segundo ele, estaria interessado apenas nos ganhos políticos que poderia obter. Embora não tenha citado nomes, a declaração foi interpretada por aliados de Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas como uma indireta aos dois. O episódio foi noticiado pelo jornal O Globo.

“Tudo tem método, assim como só entrar na campanha no segundo turno. Nenhum desses pensa no Brasil, só no que podem ganhar com o movimento”, escreveu Carlos.

Na Bahia, o questionamento segue a mesma lógica. Durante toda a campanha do primeiro turno — e mesmo antes dela —, Neto afirmou reiteradamente que seu candidato à Presidência da República era Ronaldo Caiado, seu ex-correligionário hoje filiado ao PSD. O ex-prefeito só mudou de posição após o encerramento da votação, quando Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito com 55,19% dos votos válidos.

Três dias após o resultado, Neto anunciou, em Brasília, ao lado de Flávio, que o União Brasil havia fechado questão em torno do apoio à candidatura do senador. Na ocasião, prometeu mobilizar prefeitos aliados e deputados eleitos para fortalecer a campanha na Bahia. Em 16 de outubro, Flávio desembarcou em Salvador para um ato no circuito Barra-Ondina ao lado de Neto, Bruno Reis e outras lideranças locais.

Nos bastidores da política baiana, a principal dúvida é o que Neto espera obter com essa aproximação. A imprensa local tem levantado a possibilidade de o ex-prefeito assumir um ministério em um eventual governo Flávio. Na semana passada, porém, Neto negou estar negociando um cargo e afirmou que não trabalha “na base do toma lá dá cá”.

Publicamente, o ex-prefeito tem apresentado outra justificativa para o apoio: atuar como interlocutor dos interesses da Bahia junto ao governo federal. Segundo Neto, Flávio se comprometeu a tratar bem o estado independentemente da filiação partidária do governador. O baiano afirma que pretende cobrar esse compromisso e assumir o papel de interlocutor do estado em uma eventual Presidência do senador.

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