Ex-dono da Reag cita ACM Neto e Wagner em proposta de delação

Foto: Paula Fróes, GOVBA/Divulgação, Assessoria ACM Neto

A proposta de delação premiada apresentada pelo ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, à Procuradoria-Geral da República (PGR) cita o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), candidato da oposição ao Governo da Bahia. O acordo está em fase final de ajustes antes de uma eventual assinatura e reúne documentos sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo a Reag e o Banco Master.

Segundo a coluna de Natália Portinari, no UOL, Neto é dono exclusivo do fundo Seattle 95, gerido pela Reag até 2025. Por meio dele, o candidato aplicou cerca de R$ 4,8 milhões no fundo Structure, lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no fundo em dez depósitos. Em outubro do ano passado, o patrimônio havia alcançado R$ 11,94 milhões, um ganho de R$ 4,01 milhões, com rendimento médio de 17% ao ano, muito acima de investimentos tradicionais.

A defesa de ACM Neto disse que a contratação da Reag foi feita apenas para cumprir as regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e que o fundo era só um cliente. Afirmou também que os rendimentos foram normais para o mercado, os impostos foram pagos e tudo ocorreu com transparência e dentro da lei.

Antes dessa delação, documentos do Coaf já haviam mostrado que a empresa A&M Consultoria, ligada a ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag entre 2022 e 2024.

Mansur também citou Jaques Wagner por causa de ingressos para o show de Taylor Swift em 2023, que custaram R$ 63,3 mil. Os bilhetes teriam sido pedidos por Augusto Lima, ex-sócio do Master, para serem entregues ao senador.

Wagner afirmou que pediu ajuda a um amigo para conseguir os ingressos, que não conhece Mansur e que nunca teve relação com a Reag.

O alvo principal da delação

Apesar de citar os dois políticos, o foco principal da proposta de Mansur é Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Mansur diz que, a partir de 2019, a Reag ajudou a estruturar fundos usados para movimentações financeiras ilegais. Segundo ele, esses fundos serviam para tirar dinheiro do banco, usando intermediários e contas no exterior. Mansur afirma que Vorcaro sabia de tudo e participava das decisões.

A proposta de colaboração de Mansur prevê, ainda, o pagamento de R$ 40 milhões em multas, valor que, segundo informações sobre a negociação, corresponde ao montante que ele teria recebido da Reag durante o período de funcionamento da empresa.

Até a eventual homologação do acordo, as informações apresentadas por Mansur permanecem como alegações feitas no âmbito de uma proposta de delação e dependem de apuração e confirmação pelas autoridades. A eventual assinatura e homologação da colaboração não significam, por si só, comprovação das acusações relatadas pelo delator.

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