Em sua partida de número 200, o técnico Rogério Ceni comandou o Bahia para uma vitória histórica por 2 a 0 sobre o Vitória, no Barradão, quebrando um jejum de cinco empates e encerrando a invencibilidade do rival no estádio em confrontos pelo Brasileirão. O jogo aconteceu neste domingo (23).
O marco especial do comandante tricolor foi celebrado com um desempenho que, segundo ele, resgatou a intensidade vista em atuações anteriores contra Corinthians e Atlético-MG. Os gols de Alejo Veliz e Jean Lucas garantiram os três pontos e colocaram fim à sequência de resultados iguais, além de representarem a primeira vitória do clube sobre o arquirrival no Barradão em uma edição de Série A.
Em coletiva, o técnico fez questão de valorizar o poder de criação da equipe, que poderia ter ampliado o marcador. “Acho que a gente mereceu ter feito 2 a 0. Criamos para isso. Temos essa dificuldade de fazer o gol, isso já foi citado. Mas acho que poderíamos ter feito o terceiro gol, quem sabe até o quarto.” Ele também enfatizou a entrega dos atletas como um fator a ser mantido na reta final da competição.
Ceni não poupou elogios ao ataque e destacou a pressão imposta sobre o adversário desde os minutos iniciais. “Respeitamos a equipe do Vitória, que vem conseguindo bons resultados, mas hoje encontramos uma maneira de criar oportunidades e fazer gols.” A declaração veio acompanhada de uma defesa contundente ao atacante Kike Olivera, titular na partida após um imbróglio sobre uma possível transferência. “Kike foi importante taticamente, a entrega dele, do Pulga e do Alejo foi fundamental para colocar o Vitória nas cordas durante quase todo o jogo”, afirmou.
Questionado sobre a situação do jogador uruguaio, que havia manifestado desejo de voltar ao futebol de seu país, Ceni rebateu as críticas externas. “Se você tem um emprego e recebe uma proposta, você tem o direito de pensar. O clube paga o salário dele para que ele jogue, ninguém é descartado, tudo é muito caro no futebol. Muitas pessoas foram desrespeitosas com ele e com o diretor.” O treinador ressaltou que, apesar de ter perdido algumas oportunidades, a entrega tática de Kike foi essencial para sufocar o rival.
Com a pausa na competição para a Data FIFA, o elenco terá uma semana cheia de treinos antes do próximo desafio, contra o Internacional, na Fonte Nova. O duelo, válido pela 25ª rodada, marcará o jogo 201 de Ceni à frente do time, que busca alcançar a pontuação dos 40 pontos. “Para mim representa muito, é uma torcida gigante do futebol brasileiro. Não é normal um treinador ficar três anos no mesmo clube, com exceção do Palmeiras com Abel, que ganhou títulos importantes como Brasileiro e Libertadores. Ainda não chegamos nesse estágio que o torcedor espera, mas fico feliz com uma direção muito correta e profissional”, declarou, fazendo um apelo para a presença maciça da torcida no próximo domingo.
Após encerrar a sequência negativa de empates, o comandante projetou uma mudança de postura. “Hoje podemos mudar a narrativa de cinco jogos sem vencer para oito jogos sem perder. Kike não faltou respeito com ninguém, hoje foi um jogador importante dentro da parte tática do time”, completou, encerrando as especulações sobre o atacante.








