Política de enfrentamento à misoginia é urgente, alerta Marighella

Foto: Reprodução, redes sociais

A violência de gênero voltou a ter um capítulo brutal na Bahia, e a reação não tardou no meio político. A vereadora licenciada de Salvador e atual presidente da Funarte, Maria Marighela (PT), pré-candidata a deputada federal, classificou o ataque com ácido sofrido por uma mulher em Santo Antônio de Jesus, na Bahia, como um “retrato cruel da misoginia estrutural” e cobrou políticas públicas mais eficazes.

Em suas redes sociais, Marighela manifestou solidariedade à vítima e sua irmã, que também foi ferida por respingos, e disparou contra o que chama de “cultura de permissão à violência contra a mulher”. A declaração ocorre menos de 24 horas após o crime, que chocou o estado.

“A misoginia não aceita o fim: persegue, fere e tenta matar. Uma mulher foi atacada com ácido após sair da delegacia onde pediu ajuda. Ela tinha medida protetiva, descumprida pelo agressor. Os casos de violência se acumulam e precisamos enfrentá-los”, afirmou Marighela, citando o caso de Geovane Ferreira Santos, preso em flagrante.

A pré-candidata, que tem em seu histórico a atuação na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara de Vereadores de Salvador, utilizou o episódio para reforçar sua plataforma de campanha. Ela argumenta que a violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema isolado, mas como uma questão de Estado.

“Quantas vezes ainda veremos o fim de uma relação ser tratado por homens como licença para a violência? Precisamos de mais Patrulhas Maria da Penha, casas-abrigo e integração entre segurança, justiça, saúde e assistência”, cobrou a gestora, atualmente licenciada do mandato para comandar a Fundação Nacional de Artes.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam que Geovane Ferreira Santos não aceitava o fim do relacionamento e descumpria uma medida protetiva. O crime aconteceu pouco depois de a vítima deixar uma delegacia, onde havia denunciado o suspeito. Geovane retirou uma substância corrosiva de um recipiente e a arremessou contra a ex. O homem, de 36 anos, foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio.

Para Marighela, o fato de o agressor descumprir uma medida protetiva e atacar a vítima na saída da delegacia evidencia a falha na rede de proteção. O ataque e a repercussão política reacendem o debate sobre a eficácia das leis e a necessidade de uma mudança cultural no enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica na Bahia.

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