Geddel publica desabafo e diz que já pagou pelo caso das malas: ‘Não me incomoda’

Foto: Reprodução, redes sociais

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) recorreu a conceitos da filosofia grega para comentar, nesta quarta-feira (3), o episódio que o levou à prisão, o chamado “caso das malas”, em que R$ 51 milhões em espécie foram apreendidos em um apartamento ligado a ele em Salvador, em 2017. Em tom de desabafo, o cacique do MDB na Bahia afirmou que sobre o assunto “já falaram tanto” e que considera as críticas “pouco criativas”.

Na publicação, Geddel reproduziu um diálogo com um amigo não identificado. “Um amigo me perguntou: Cara, por que você posta coisas que sabe que vai dar polêmica? E eu: porque para mim a vida sem polêmicas não tem graça”, escreveu. Ao ser questionado se não se importa com os xingamentos que recebe, o ex-ministro respondeu que se distrai com os ataques, sobretudo “ao ver a pobreza intelectual, a falta de capacidade para o debate, e o ódio embutido nessa divisão louca que vivemos”.

Sobre o escândalo que marcou sua carreira política, Geddel foi sucinto. “Acho pouco criativo, afinal já falaram tanto sobre isso e, ademais, falam sobre o que não sabem. Não me incomoda, trato os fatos da vida como fatos, e a vida como ela é. E desse assunto já paguei, por mim e por muitos, todos os preços cobrados, portanto nem tchum!”, declarou.

A publicação foi encerrada com um recado que mescla resiliência e referências filosóficas. “Na idade que estou, tendo passado o que passei, e resilientemente estando de pé, vivo em estado de eudaimonia e ataraxia, sempre aceitando o curso dos acontecimentos”, finalizou. Os termos utilizados pelo ex-ministro remetem a conceitos que representam uma vida plena e feliz, com tranquilidade espiritual.

O “caso das malas” veio à tona em setembro de 2017, quando a Polícia Federal encontrou malas e caixas com R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento em Salvador. O imóvel era apontado como bunker de Geddel, que na época ocupava o cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, no governo Michel Temer. O episódio gerou uma das imagens mais simbólicas de escândalos de corrupção no país e resultou em condenações contra o político.

Geddel foi preso preventivamente e, posteriormente, condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Em 2021, teve a prisão domiciliar revogada e voltou a cumprir pena em regime fechado, antes de progredir para o semiaberto. Atualmente, segue em liberdade e tem comandado movimentações políticas nos bastidores do MDB baiano.

 

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