Momentos antes de o Senado Federal enterrar por 42 votos a 34 a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), dois rivais políticos foram flagrados em diálogo amistoso na Casa Legislativa: o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA). A cena, rara entre alas opostas, ocorreu na quarta-feira (29) e antecedeu uma derrota histórica para o Planalto.
Para alcançar a cadeira na Suprema Corte, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) precisaria de, no mínimo, 41 votos favoráveis. A base governista projetava contar com 45 apoios, enquanto a oposição estimava 30 rejeições. O sigilo da votação, no entanto, manteve o desfecho incerto até o anúncio final. Antes da análise em plenário, Messias enfrentou uma sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde obteve 16 votos a favor e 11 contrários.
A rejeição imposta a Messias interrompeu uma sequência de 132 anos sem vetos a candidatos ao STF. Desde 1894, apenas cinco nomes indicados à Corte haviam sido barrados — todos durante o governo de Floriano Peixoto. O presidente Lula (PT), que já viu os indicados Cristiano Zanin e Flávio Dino serem aprovados pelo Senado neste mandato, terá agora de escolher um novo nome para a vaga.
Wagner é cobrado nos bastidores
Segundo apuração do jornal O Globo, auxiliares próximos ao presidente Lula relataram que Jaques Wagner forneceu um diagnóstico equivocado sobre a força da indicação de Messias. Durante a tarde, essa mesma corrente chegou a prever 39 votos favoráveis — número ainda insuficiente, mas superior aos 34 conquistados. Às 13h15, Wagner chegou a declarar expectativa de aprovação com 45 votos. Na Secretaria de Relações Institucionais, admitia-se, no fim da manhã, a possibilidade de passar por 42. Agora, aliados defendem reservadamente a substituição do líder em meio a um tensionamento inédito entre o Congresso e o Palácio do Planalto.









