A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não deve motivar retaliações no Senado. A avaliação partiu do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), após o plenário rejeitar o nome na quarta-feira (29). O parlamentar defendeu o respeito ao voto individual e classificou o episódio como página virada.
Otto Alencar votou a favor do indicado, a quem considera apto ao cargo. Ele relatou ter abraçado Messias em solidariedade, descrevendo o advogado como “um brilhante funcionário público”. “Cada um vota como acha. A democracia é assim. Lamento muito, mas é página virada”, declarou.
Em entrevista à Metrópole FM nesta quinta (30), o senador revelou que o resultado contrariou a expectativa construída após a sabatina na CCJ, onde o nome havia avançado com clima favorável. Segundo ele, diversos parlamentares que sinalizaram apoio mudaram de posição repentinamente. “A expectativa nossa era de aprovação no Senado Federal, porque aprovamos na CCJ. Quando saiu da CCJ, tinha clima favorável, e de repente percebemos uma mudança muito grande”, afirmou.
Apesar da frustração, Otto Alencar descartou qualquer tipo de perseguição aos oposicionistas. “Não adianta agora fazer caça às bruxas, saber quem votou a favor ou contra. Você está muito sujeito ao erro”, disse. Ele ainda elogiou o desempenho do sabatinado, considerado o melhor já visto pelo parlamentar entre todos os indicados que acompanhou.
O senador também apontou causas mais profundas para o revés. Para ele, a origem do desgaste remonta à decisão de não lançar Rodrigo Pacheco como opção ao STF quando o nome do presidente do Senado era unanimidade. “O Senado inteiro queria Rodrigo Pacheco. Quando surgiu o nome dele, era praticamente unanimidade. Não indicar naquele momento foi o pecado original”, explicou.
Otto Alencar resgatou ainda uma disputa anterior pela presidência da Casa, após a eleição de Jair Bolsonaro. Ele disse que um erro de avaliação em apoio a Angelo Coronel, que teria prometido 40 votos mas obteve apenas oito, abriu caminho para a vitória de Davi Alcolumbre com 41 votos. “Se a gente tivesse ido com Renan, ele ganhava. Foi um erro de avaliação que mudou tudo”, recordou.
Para o parlamentar, a combinação entre a não indicação de Pacheco e a articulação conduzida por Alcolumbre resultou na derrota histórica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Foram dois fatores: não indicar Pacheco quando havia consenso e a atuação de Davi. Isso acabou pesando decisivamente”, concluiu.









