Secretária de Salvador destaca desafio de ampliar o financiamento climático para municípios

Foto: Divulgação/FNP

Enchentes, secas, ondas de calor e deslizamentos deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a integrar a rotina das gestões municipais. Nesse cenário, o desafio das cidades brasileiras já não é decidir se investirão em ação climática, mas criar mecanismos para financiar esses investimentos, mensurar os resultados e ampliar o acesso aos recursos destinados ao financiamento climático. Essa foi a principal mensagem da secretária da Fazenda de Salvador, Giovanna Victer, durante a primeira edição do Diálogos de Alto Nível: Cidades e Ação Climática, evento promovido pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), em parceria com o Sebrae Nacional, nesta terça-feira (04/08). O encontro discutiu estratégias capazes de fortalecer a atuação dos municípios brasileiros diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Durante o evento, Giovanna mediou o painel “Mapa do Caminho: governos subnacionais na transição climática”, que reuniu especialistas para debater os principais desafios e oportunidades na implementação de políticas públicas voltadas à mitigação dos impactos ambientais e à adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos.

Ao conduzir a discussão, a secretária destacou que os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte da rotina das administrações municipais. “As cidades já vivem os impactos da mudança do clima. O desafio agora é criar condições para financiar esses investimentos, dar transparência aos recursos aplicados e fortalecer o acesso dos municípios ao financiamento climático. Essa é uma agenda de desenvolvimento urbano, de responsabilidade fiscal e de justiça social”, afirmou Giovanna.

A secretária ressaltou ainda que a agenda climática exige abordagens distintas. Enquanto as ações de mitigação buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa, por meio de iniciativas como a eletrificação da frota de transporte público, as políticas de adaptação concentram esforços em preparar as cidades para enfrentar impactos que já são realidade, como enchentes, deslizamentos, secas e ondas de calor, por meio de obras de drenagem, contenção de encostas e fortalecimento da infraestrutura urbana.

Outro ponto abordado foi a necessidade de ampliar o acesso dos municípios a instrumentos de financiamento climático. Segundo a secretária, grande parte das linhas de crédito disponíveis ainda depende de operações onerosas, incompatíveis com a realidade fiscal de muitos municípios brasileiros. Nesse cenário, fundos climáticos voltados a projetos de resiliência urbana e redução de emissões representam uma alternativa estratégica para acelerar investimentos sustentáveis.

Victer também defendeu que os municípios avancem na adoção de instrumentos de orçamento climático, capazes de identificar e acompanhar os investimentos destinados à mitigação e à adaptação dentro das peças orçamentárias. “Quando conseguimos identificar e mensurar os investimentos climáticos no orçamento público, fortalecemos o planejamento, ampliamos a credibilidade dos municípios e aumentamos as possibilidades de captar recursos junto a bancos multilaterais e fundos internacionais”, destacou.

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