Relação de Roma com sócio de Vorcaro pode gerar crise para Neto

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A aproximação política com o ex-ministro João Roma (PL) pode trazer um desgaste inesperado para a campanha de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia em 2026. Roma, que integra a chapa do postulante ao Palácio de Ondina como candidato ao Senado, foi convocado a depor na CPI do Crime Organizado. De acordo com a revista Veja, o motivo foi a relação do ex-ministro com o banqueiro Augusto Lima, sócio do Master e preso na última semana durante a operação Compliance Zero.

Embora as conexões políticas do empresário fossem até agora associadas a integrantes do PT, a convocação de João Roma expõe os vínculos do bolsonarismo com o escândalo financeiro. Ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, Roma é apontado como peça-chave para a expansão dos negócios do Master no setor de crédito consignado. Ainda conforme apuração da Veja, durante sua gestão, o cartão CredCesta, controlado por Lima, passou a operar em 24 estados e 176 municípios, tornando-se responsável pela originação de contratos com aposentados do INSS.

Os números do instituto revelam um salto exponencial nas operações: de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões em 2024, alta superior a 2.500%. O consignado passou a responder por metade da receita do Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. Parlamentares da CPI pretendem investigar se houve facilitação política para o credenciamento do banco no programa de auxílio emergencial.

Roma migrou do Republicanos para o PL com apoio do ex-presidente e, desde então, manteve proximidade com Augusto Lima. A aliança com Neto, costurada nos últimos meses, agora coloca o grupo de oposição na mira de um debate que até então parecia restrito a adversários petistas. O episódio tem potencial para contaminar a imagem do ex-prefeito de Salvador em um momento decisivo da corrida eleitoral.

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