Dez dias após o deputado estadual Diego Castro (PL) acusar integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de agredi-lo dentro da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), novas imagens divulgadas nesta quinta-feira (27) pelo renomado advogado e professor de direito, Marinho Soares, de Salvador, colocam em xeque a versão do parlamentar e sugerem que os agressores seriam, na verdade, integrantes da própria equipe do deputado.
Os vídeos, obtidos e compartilhados pelo jurista em suas redes sociais, mostram uma cena diferente da relatada por Castro há cerca de dez dias. Nas gravações, é possível ver homens que acompanhavam o político empurrando manifestantes de forma violenta, fazendo com que alguns deles caíssem ao chão. Entre as vítimas, aparecem pessoas aparentemente idosas, que não reagiam às investidas.
“Estão aí as imagens. Esse deputado que se diz cristão, que se diz Deus, Pátria e Família, simplesmente ele e os capangas dele, em plena ALBA, saíram agredindo manifestantes”, afirmou Marinho Soares, visivelmente indignado. “Como vocês podem ver, ele só agrediu pessoas idosas, inofensivas. Eu conheço bem esse tipo de gente: covarde, que quando está olho no olho com pessoas da sua estirpe, borra as calças todas.”
O professor também fez duras críticas à postura do deputado nas redes sociais. “Está aí esse deputado que vai para a rede social para dizer que o MST tentou agredir ele e que ele foi para cima. Mas ele só faz isso porque estava dentro da Assembleia e cheio de policiais infiltrados”, denunciou Soares, afirmando ter sido procurado por agentes de segurança que pediram ajuda diante da situação.
“Eles me procuraram para dizer: ‘Professor, ajude, porque esse deputado sabe que a gente não pode dar a ele o que ele merece, porque senão pega para nós’. E ele faz isso. Vocês estão vendo aí”, acrescentou.
Marinho Soares não poupou críticas à condução do caso pela Mesa Diretora da Casa. “Eu quero saber agora da presidente da ALBA: na Assembleia Legislativa tem espaço para violência? Na ALBA tem espaço para deputado estadual agredir, junto com seus capangas, pessoas idosas que estavam lá pacificamente?”, indagou.
O caso
No dia 17 de abril, Diego Castro se envolveu em uma discussão acalorada com integrantes do MST, que ocupavam as dependências da Assembleia como parte de uma mobilização nacional do movimento. Na ocasião, os manifestantes lembravam os 27 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos durante uma ação policial no sul do Pará. Na versão apresentada inicialmente pelo deputado, ele teria sido agredido pelo grupo.









