O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) deflagrou 92 operações contra organizações criminosas ao longo de 2025, o maior número já registrado na série histórica. O volume representa mais que o triplo das 30 ações realizadas em 2021 e reflete uma estratégia estadual de intensificação no enfrentamento a facções, tráfico e crimes financeiros. A frase-chave que define este ano é enfrentamento ao crime organizado.
A expansão das ações, que em 2024 totalizaram 75 operações, foi acompanhada por uma maior complexidade nas investigações. As equipes passaram a mapear detalhadamente redes de contatos e movimentações financeiras, resultando em um aumento significativo no cumprimento de mandados. Saltou de 117 buscas e apreensões em 2022 para 252 em 2025, além de mais de uma centena de prisões.
Como consequência direta desse trabalho, a Justiça, a pedido do MP-BA, determinou o bloqueio de mais de meio bilhão de reais em bens e valores de investigados. A medida visa a descapitalização das facções. Paralelamente, no combate à sonegação fiscal, ações integradas dentro do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) garantiram a devolução de R$ 145,2 milhões aos cofres públicos estaduais.
O procurador-geral de Justiça, Pedro Maia, atribuiu os resultados à cooperação permanente e ao investimento em tecnologia. “O enfrentamento ao crime organizado exige cooperação permanente, investimento contínuo em tecnologia e capacitação das equipes, além de uma atuação interinstitucional firme e coordenada. A integração entre o Ministério Público e as forças de segurança pública do Estado tem sido decisiva para ampliar o alcance das investigações, promover a asfixia financeira das organizações criminosas, quebrar suas estruturas logísticas e fortalecer a resposta estatal, assegurando resultados concretos em todo o território baiano”, destacou.
As ações são executadas por grupos especializados do MP-BA, como o Gaeco (combate ao crime organizado), Gaesf (sonegação fiscal), Geosp (segurança pública) e Gaep (sistema penitenciário). Eles atuam de forma articulada com polícias Civil e Militar, Secretaria de Segurança Pública (SSP), Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e órgãos federais.
O coordenador do Gaeco, promotor Luiz Ferreira Neto, reforçou a importância da inteligência. “Os resultados alcançados refletem o uso cada vez mais qualificado da inteligência nas investigações, com análise integrada de dados, interceptações e técnicas especiais que permitem identificar estruturas financeiras e operacionais das organizações criminosas. Esse trabalho só é possível com a atuação conjunta dos grupos especializados do Ministério Público e das forças policiais, garantindo investigações mais profundas, operações mais eficientes e maior impacto no enfrentamento ao crime organizado”.
Operações de destaque
Entre as ações do ano, destacam-se a “Estado Anômico”, que deu continuidade à “El Patrón” e resultou na prisão do deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha, por lavagem de dinheiro e exploração do jogo do bicho. A “Premium Mandatum” prendeu integrantes de uma grande facção nacional e bloqueou R$ 44 milhões.
No campo da grilagem de terras, a “Operação Grilagem S.A.” prendeu oito pessoas em Salvador e região metropolitana. A “Fogo Cruzado” investigou sonegação de R$ 14 milhões no comércio de armas. Já a “Terra Justa” cumpriu mandados contra uma milícia atuante em conflitos fundiários no oeste baiano.
Outras ações visaram crimes ambientais e o sistema prisional. A “Fauna Protegida” prendeu um grande traficante de animais silvestres, enquanto a “Redenção” atuou dentro de uma unidade penitenciária em Eunápolis para apreender celulares ilícitos e coibir a comunicação de detentos com o crime externo.









