O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comparece nesta segunda-feira (5) a um tribunal federal em Manhattan, Nova York, para responder formalmente a acusações de narcoterrorismo e conspiração para tráfico internacional de cocaína. A audiência ocorre após sua captura por forças norte-americanas em Caracas no último sábado (3), episódio que agravou as tensões geopolíticas na região.
Maduro, de 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, foram transportados para Nova York e estão sob custódia. Eles devem se declarar inocentes perante o juiz Alvin K. Hellerstein, que deve ordenar a prisão preventiva até o julgamento. Julgamento por narcoterrorismo nos EUA pode se estender por mais de um ano, segundo análises da imprensa americana.
As acusações federais, revisadas em 2020 e atualizadas no sábado, descrevem Maduro como chefe de um cartel estatal que, por mais de duas décadas, conspirou com grupos como as FARC colombianas e cartéis mexicanos para “importar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. O documento do Ministério Público afirma que ele “abusou de seus cargos de confiança pública e corrompeu instituições antes legítimas” para o benefício próprio e de seu círculo.
A promotoria alega que o envolvimento do ex-mandatário começou em 2000, intensificando-se durante seus cargos como chanceler (2006-2013) e depois como presidente. As alegações incluem venda de passaportes diplomáticos a narcotraficantes e uso das Forças Armadas para proteger carregamentos de drogas. Ele responde por crimes que podem render prisão perpétua.
A operação militar para capturá-lo é a intervenção mais direta dos EUA na América Latina em décadas, gerando críticas de Rússia e China e uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU. Especialistas em direito internacional questionam a legalidade da ação, enquanto analistas jurídicos apontam que a condenação dependerá de provas robustas do envolvimento direto de Maduro nas operações narco.









