A candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia enfrentou um teste de fogo durante sabatina promovida pela TV Aratu, quando a jornalista Basília Rodrigues, do SBT News, transformou o que seria uma entrevista tradicional em um verdadeiro confronto de ideias nesta segunda-feira (31).
Diferente do que o político estava acostumado, a repórter não se contentou com respostas evasivas e conduziu um interrogatório incisivo sobre temas espinhosos como investigações, obras estruturantes e o êxodo populacional da capital baiana.
Logo no início da sabatina, Basília mergulhou em questões delicadas ao perguntar sobre as apurações Overclean e Banco Master, questionando ligações diretas entre Neto e figuras controversas como Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e Daniel Vorcaro. O candidato negou qualquer participação nas investigações e afirmou não temer uma eventual delação relacionada à Reag.
A jornalista, no entanto, insistiu na conexão com Marcos Moura. “Sobre a proximidade com o rei do lixo, que ele era indicado pelo senhor e estava no comando do União Brasil. Hoje ele não tem mais nenhuma relação com o partido?”, questionou. Neto desconversou: “Indicado por mim não”. A declaração contrasta com informações públicas, uma vez que Arthur Maia manifestou na época insatisfação por ter sido preterido na Executiva Nacional da legenda.
A ausência de obras estruturantes
A segunda rodada de perguntas trouxe à tona críticas recorrentes da população soteropolitana. Basília apontou a falta de projetos de grande porte durante as gestões de Neto e Bruno Reis, mencionando problemas no BRT, na saúde e em serviços essenciais. A repórter sintetizou o descontentamento popular: “Tem gente que diz que a prefeitura gosta mesmo de construir praça e não obra que faz diferença na vida do povo”.
Em resposta, o candidato enumerou iniciativas como praças, creches, UPAs, contenção de encostas e o Centro de Convenções. Porém, não conseguiu apontar uma grande intervenção urbana que respondesse diretamente à provocação feita pela entrevistadora.
Neto também atribuiu exclusivamente a seus governos a redução de tragédias em áreas de risco, afirmando que “nós já protegemos mais de 600 encostas”. O político omitiu, entretanto, que os investimentos petistas na contenção de encostas superaram os realizados em sua gestão.
O êxodo de soteropolitanos
A jornalista voltou à perguntar com um dado alarmante: a saída de mais de 200 mil moradores de Salvador entre 2010 e 2022. “Quem conhece Salvador também está indo embora da cidade, candidato”, disparou Basília, questionando as razões desse movimento migratório.
Neto recorreu a índices de votação e aprovação para justificar sua passagem pela prefeitura, mas novamente fugiu da questão central. A postura firme da repórter demonstrou que uma sabatina não pode ser reduzida a um palco para respostas ensaiadas sem contestação.
Com equilíbrio entre firmeza e leveza, Basília Rodrigues cumpriu o papel fundamental do jornalismo: perguntar, escutar e, quando necessário, perguntar novamente até que as respostas satisfaçam o interesse público.











