O senador Otto Alencar (PSD) criticou a forma como o colega Ângelo Coronel deixou o PSD, classificando a atitude como precipitada e danosa ao diálogo. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, da Rádio Metrópole FM, nesta segunda-feira (2), Otto afirmou que a decisão aprofunda a crise na base governista do estado.
“E tentei falar com o Ângelo. Seria ontem de manhã. No sábado à noite, eu não sei o que aconteceu. Ele pegou a metralhadora e saiu metralhando todo mundo, saiu notas em todos os jornais e tal, dizendo que já estava fora, e eu fiquei parado. Até porque, na segunda-feira passada, quando ele disse que ia para São Paulo, quando eu liguei para ele, era para conversar com ele, para encontrá-lo”, disse o parlamentar.
Segundo Otto, a condução do rompimento surpreendeu a cúpula partidária e interrompeu tentativas de conciliação. Ele se disse vítima do processo e negou qualquer traição por parte de Coronel, que pode migrar para o União Brasil. “Não teve traição nenhuma, ele nunca negou a vontade de apoiar o candidato da oposição ACM Neto”, afirmou.
O senador revelou que Coronel foi a São Paulo para uma reunião com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já ciente de que a legenda manteria apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Na ocasião, o agora ex-aliado teria feito uma proposta que Otto considerou inviável. “Kassab me ligou, disse que falou ‘se aconselhe com Otto. Esse partido fundamos juntos’ e aí vem a proposta: candidatura ‘camarão sem a cabeça’. Nenhum deputado aceita isso”, detalhou.
Questionado sobre a trajetória política do ex-colega, Otto Alencar avaliou que Coronel só alcançou o Senado pela aliança com o PSD. “Ele não seria senador com o outro lado, jamais seria senador”, declarou, relembrando derrotas eleitorais anteriores de Coronel antes da filiação.
A saída de Coronel do partido foi anunciada no último sábado (31) e ocorre em meio a tensões internas, agravadas após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD.











