A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), que ganhou notoriedade nas redes sociais sob o apelido de “Trans de Direita”, costuma publicar críticas a programas de assistência do governo federal, como o Bolsa Família e o Gás do Povo. Registros do Portal da Transparência, entretanto, indicam que ela própria recebeu benefícios desses programas.
Segundo os dados públicos, Barclay está cadastrada no Bolsa Família desde maio de 2018, quando tinha 18 anos e vivia no Rio de Janeiro. Os pagamentos são associados ao Cadastro Único (CadÚnico), sistema utilizado pelo governo para identificar e acompanhar famílias de baixa renda.
Ao longo dos últimos oito anos, a candidata recebeu pagamentos dos programas em praticamente todos os anos, com exceção de 2024. Em 2025, os registros apontam R$ 6 mil recebidos por meio do Novo Bolsa Família, maior montante anual identificado no período.
Também há registro de benefício do Gás do Povo em nome de Barclay. De acordo com os dados consultados, o benefício teve início em março deste ano e o cadastro permanece válido por três meses, entre 10 de julho e 9 de outubro. Considerando os registros disponíveis, os pagamentos relacionados aos programas ultrapassam R$ 23 mil no período analisado.
Discurso político
Apesar de ter utilizado esses programas, Barclay passou a fazer críticas públicas às políticas de assistência social com maior frequência a partir de 2025, quando intensificou sua produção de conteúdo político de direita.
Em setembro daquele ano, ao comentar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela atacou nas redes sociais pessoas que apoiavam a decisão e também fez críticas a beneficiários do Bolsa Família.
No mês seguinte, voltou a abordar o tema. Em uma publicação de 1º de outubro, questionou a necessidade de o governo oferecer auxílio para a compra de gás de cozinha e criticou a atuação do PT na área social.
Justificativa
Ao jornal O GLOBO, a candidata explicou que recebeu os benefícios durante uma fase de vulnerabilidade financeira. Ela afirmou ter sido expulsa de casa aos 16 anos e relatou que precisou da ajuda de outras pessoas para conseguir se sustentar.
Segundo Barclay, os recursos recebidos eram destinados às necessidades básicas. Ela afirma que não considera essa parte de sua história motivo de vergonha e que a experiência contribuiu para formar sua visão sobre políticas públicas.
A candidata também estabeleceu uma distinção entre defender a existência de programas de assistência para quem necessita deles e concordar com todos os formatos ou critérios utilizados pelo poder público.
Barclay afirma que atualmente não está em situação de vulnerabilidade. O cadastro no Gás do Povo, porém, continua ativo nos registros públicos, com validade prevista até outubro.
Para a candidata, o fato de ter recorrido à assistência social no passado não contradiz suas críticas atuais aos programas. Ela sustenta que sua experiência pessoal ajuda a explicar suas posições sobre a atuação do Estado e a necessidade de criar condições para que pessoas em situação vulnerável possam superar essa condição.








