Advogados são presos por elo com facções na Bahia

Foto: Divulgação/SSP-BA e PC-BA

Oito advogados foram detidos na manhã desta sexta-feira (3) durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada em seis cidades baianas para desarticular a ligação entre profissionais do Direito e facções criminosas que atuam dentro do sistema prisional do estado. A ação conjunta, que envolve as Secretarias da Segurança Pública (SSP) e de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), o Ministério Público (MP) e a Polícia Civil, cumpre 22 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão, com o objetivo de interromper um sofisticado esquema de comunicação clandestina gerido por detentos.

As investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPBA, revelaram que os bacharéis presos supostamente utilizavam suas prerrogativas profissionais para burlar as regras de incomunicabilidade impostas a líderes de organizações criminosas, em especial aqueles custodiados em penitenciárias de segurança máxima. A apuração aponta que esses agentes atuavam como elo estratégico entre o núcleo preso e o braço externo das facções, transmitindo ordens, consolidando decisões e gerenciando conflitos internos.

As diligências foram realizadas nas primeiras horas do dia em Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Serrinha, Lauro de Freitas e Camaçari, abrangendo não apenas os alvos com mandados de prisão, mas também 12 detentos que já estavam custodiados. Ao todo, mais de 100 profissionais, entre promotores, policiais do Denarc e do Depin, além de servidores da Seap e da SSP, participaram da força-tarefa.

Além das apreensões de notebooks, celulares e documentos que devem auxiliar no aprofundamento das apurações, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, com valores que podem chegar a R$ 10 milhões, além da indisponibilidade de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves. A medida visa impedir a movimentação de recursos oriundos do tráfico de drogas, da compra e circulação ilegal de armas de fogo e da gestão do comércio de entorpecentes.

Os elementos reunidos indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia a continuidade das atividades criminosas mesmo com lideranças custodiadas em unidade prisional de segurança máxima, por meio de um núcleo externo responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade. A estrutura identificada apresenta hierarquia bem definida e divisão de funções, o que evidencia o alto grau de organização do grupo.

A Operação Sintonia de Gravata faz parte de uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc), do Ministério Público brasileiro, que busca intensificar o enfrentamento a essas quadrilhas em todo o território nacional. As equipes seguem em campo na capital e nas demais cidades contempladas, e a continuidade das investigações deverá focar na identificação de outros possíveis envolvidos no esquema que corrompeu as prerrogativas da advocacia para alimentar o crime organizado dentro e fora dos presídios.

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