A prisão de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro, trouxe à tona um vídeo em que Flávio Bolsonaro (PL) declara apoio irrestrito à candidatura do político ao Senado. Publicada em abril, a gravação mostra o senador afirmando que estava ao lado do aliado na disputa eleitoral. Canella foi preso nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal (PF), desta vez durante uma investigação sobre um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
“Estou aqui para reafirmar o meu apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro”, declarou Flávio no vídeo divulgado em 3 de abril. Na mesma gravação, o parlamentar classificou Canella como “competente” e afirmou que o aliado participaria da missão de “resgatar o nosso Brasil”.
A aproximação política entre os dois também envolvia a composição da chapa eleitoral. Canella havia deixado a Prefeitura de Belford Roxo para disputar uma vaga no Senado, com Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, prevista para ocupar a primeira suplência.
A candidatura de Canella ao Senado perdeu força após sua primeira prisão, em 7 de julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, agentes federais encontraram um fuzil calibre 5,56 no veículo do político. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou as restrições relacionadas ao episódio após a Polícia Militar informar que a arma pertencia a um integrante da escolta.
Em meio à repercussão do caso, Canella desistiu da disputa pelo Senado em 3 de agosto e anunciou que concorreria a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele acabou eleito com 197.178 votos, o segundo maior resultado entre os candidatos à Casa.
Nova prisão envolve investigação bilionária
Nesta quinta-feira (15), Canella voltou a ser preso pela PF na oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à Polícia Federal, as movimentações investigadas somam R$ 7,6 bilhões em seis anos. A operação, autorizada por Alexandre de Moraes, cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A defesa do político informou que aguardava acesso aos autos para se manifestar.
NÃO FALHA! Olha aí o Flávio Bolsonaro, durante a campanha, apoiando o amigo preso hoje por organização criminosa e lavagem de dinheiro: “Apoio 100% ao meu amigo Márcio Canella” https://t.co/qk8OrvBJ87
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) October 15, 2026








