Golpe do Pix: MPBA pede 61 anos de prisão para Marcelo Castro

Foto: Reprodução, redes sociais

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) pediu à Justiça a condenação do apresentador Marcelo Castro a 61 anos de prisão, em regime fechado, por acusações relacionadas ao suposto esquema de desvio de doações feitas por Pix, durante sua passagem pela Record Bahia. Conforme apuração do jornalista Gabriel Vaquer, da coluna F5, do jornal Folha de S. Paulo, o pedido foi apresentado nas alegações finais do órgão antes da sentença no processo.

Marcelo Castro, que atualmente apresenta o programa Alô Juca, da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, responde à ação penal sob acusação de integrar e liderar uma organização criminosa responsável por desviar mais de R$ 500 mil destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade. Os fatos investigados ocorreram entre 2022 e 2023, período em que ele trabalhava como repórter do Balanço Geral Bahia.

Segundo o Ministério Público, as provas reunidas ao longo de uma investigação que durou três anos apontam Castro como o principal beneficiário do esquema. O órgão sustenta que parte dos valores arrecadados em campanhas de ajuda teria sido desviada em vez de chegar integralmente às famílias apresentadas nas reportagens.

“As provas coligidas evidenciam que os valores recebidos em razão da confiança depositada pelos doadores não foram integralmente empregados nas finalidades anunciadas, mas incorporados ao patrimônio dos acusados ou repartidos entre os integrantes do grupo criminoso”, diz o MP.

Em outro trecho das alegações finais, o Ministério Público afirma que as movimentações financeiras teriam sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos recursos.

“As operações financeiras integraram um verdadeiro mecanismo de reciclagem de ativos ilícitos, concebido para romper o vínculo entre os recursos desviados e sua origem criminosa, conferindo-lhes aparência de licitude e dificultando sua identificação pelos órgãos de persecução penal”, concluiu o documento.

A acusação também envolve outras 11 pessoas, que tiveram a condenação solicitada pelo MP-BA por participação na suposta organização criminosa. Entre elas está Jamerson Oliveira, que atualmente ocupa o cargo de editor-chefe no programa apresentado por Castro. Segundo a investigação, Oliveira teria sido um dos principais colaboradores do apresentador no esquema.

O Ministério Público também pediu que os acusados sejam responsabilizados pelo pagamento de R$ 1 milhão em indenização por danos materiais às vítimas. A defesa de Castro e Oliveira foi procurada pela F5, mas não respondeu aos contatos. Castro nega participação na organização criminosa desde o início das apurações. Por meio de seus advogados, o apresentador afirmou que os recursos recebidos foram destinados às pessoas que haviam solicitado auxílio.

Como esquema foi descoberto

A investigação começou a ganhar repercussão em março de 2023, depois que o jogador baiano Anderson Talisca, atualmente no Al-Jazira, decidiu contribuir com R$ 70 mil para uma família que precisava de ajuda para custear o tratamento de saúde de uma criança.

O menino Guilherme, então com 1 ano, enfrentava um câncer e precisava de medicamentos. Após assistir a uma reportagem sobre a situação da família, Talisca decidiu fazer a doação.

Durante os contatos para viabilizar o repasse, porém, um assessor do atleta percebeu uma divergência no número utilizado para receber o dinheiro. A chave Pix informada pela equipe de Marcelo Castro não correspondia àquela que havia sido exibida na televisão como pertencente a um familiar da criança.

A diferença levantou suspeitas e levou a emissora a abrir uma investigação interna. A Record Bahia também encaminhou uma notícia-crime às autoridades para que os fatos fossem apurados.

Poucos dias depois, Marcelo Castro e Jamerson Oliveira foram demitidos pela emissora. O menino que havia aparecido na reportagem morreu semanas após a exibição do conteúdo.

De acordo com a investigação, o grupo teria arrecadado mais de R$ 540 mil em doações destinadas às pessoas retratadas nas reportagens. Desse total, aproximadamente R$ 410 mil, equivalentes a 75% da quantia, teriam sido apropriados pelos envolvidos. Apenas R$ 135,9 mil teriam sido efetivamente destinados às vítimas.

O processo agora aguarda a análise da Justiça da Bahia. O pedido apresentado pelo Ministério Público ainda será avaliado pelo Judiciário, que decidirá se os acusados serão condenados e quais penas serão aplicadas.

Mais de Soteropoles

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com