A reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) para o Governo da Bahia, confirmada neste domingo (4), no primeiro turno, representa mais do que a continuidade do grupo petista no comando do estado. Com 55,80% dos votos válidos, contra 43,72% de ACM Neto (União Brasil), o governador impôs ao adversário a segunda derrota consecutiva em uma disputa pelo Palácio de Ondina — desta vez sem a necessidade de uma segunda etapa. O resultado também mexe no equilíbrio de forças para as próximas eleições, especialmente em Salvador.
Um dos principais sinais da mudança apareceu justamente na capital baiana, historicamente uma das principais bases eleitorais de ACM Neto. Em 2022, o ex-prefeito recebeu 783.749 votos em Salvador, o equivalente a 52,79%, enquanto Jerônimo somou 547.531 (36,88%). A diferença, então, foi de 236.218 votos. Quatro anos depois, Neto até cresceu proporcionalmente, chegando a 54,32%, com 769.752 votos, mas Jerônimo avançou de forma mais expressiva e alcançou 630.677 (44,51%). A vantagem do candidato do União Brasil caiu para 139.074 votos.
A aproximação entre os dois grupos na capital coloca a eleição de 2028 no radar. O grupo político de ACM Neto, que mantém influência sobre a Prefeitura de Salvador desde 2013, chega ao próximo ciclo após mais uma derrota do seu principal líder. Ana Paula Matos (União Brasil), atual vice-prefeita, e o deputado federal reeleito Léo Prates (Republicanos) aparecem entre os nomes cotados para a sucessão de Bruno Reis (União Brasil). Do outro lado, o PT chega ao novo ciclo com nomes fortalecidos pela eleição estadual.
Um deles é Rowenna Brito (PT), que conquistou 137.266 votos e foi a terceira deputada estadual mais votada da Bahia. A futura parlamentar passou a figurar entre as especulações para uma eventual candidatura à Prefeitura de Salvador. Outro nome que pode voltar ao debate é o da ministra da Cultura, Margareth Menezes. A cantora recusou neste ano uma candidatura à Câmara dos Deputados, mas, segundo a CNN Brasil, o PT ainda avalia possibilidades eleitorais para a artista, incluindo uma eventual disputa pela Prefeitura de Salvador.
O resultado também fortalece figuras ligadas à articulação política do governo estadual. Ex-secretário de Relações Institucionais e coordenador-geral da campanha de Jerônimo, Adolpho Loyola ganhou protagonismo ao atuar na interlocução com prefeitos, vereadores, deputados e lideranças do interior. O desempenho na campanha pode colocá-lo entre os nomes observados pelo grupo para os próximos ciclos eleitorais, inclusive na sucessão estadual em 2030.
A força demonstrada pelo PT em 2026 também representa uma tentativa de recuperação na capital. Em 2024, o partido optou por apoiar Geraldo Júnior (MDB) na disputa pela Prefeitura de Salvador, em vez de lançar candidatura própria. Naquele pleito, Bruno Reis foi reeleito no primeiro turno com 78,67% dos votos, enquanto Geraldo terminou em terceiro, com 10,33%, atrás de Kleber Rosa (PSOL). Agora, com Jerônimo reduzindo significativamente a distância para ACM Neto em Salvador e o grupo petista saindo fortalecido das urnas, a sucessão de Bruno Reis começa a ganhar contornos de uma disputa muito mais aberta para 2028.








