“É muito grave que ACM Neto apareça em um relatório da PF”, diz Marta

Foto: Reginaldo Ipê/CMS

A vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) cobrou, nesta quinta-feira (1º), explicações públicas do ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), após a repercussão de informações atribuídas a um relatório da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Overclean. O caso envolve uma investigação sobre suspeitas de fraudes em contratos públicos.

Em publicação no X, antigo Twitter, Marta classificou como “muito grave” a menção ao nome de ACM Neto no relatório e afirmou que o político deveria prestar esclarecimentos à população baiana. “É muito grave que ACM Neto, candidato ao governo do nosso estado, apareça em um relatório da Polícia Federal apontado como liderança de uma organização criminosa investigada por fraudes em contratos públicos e movimentação de cerca de R$ 1,4 bilhão”, escreveu a vereadora.

A petista, que é irmã do governador Jerônimo Rodrigues (PT), também destacou informações divulgadas pelo site ICL Notícias segundo as quais o grupo investigado teria utilizado aeronaves fretadas para transportar dinheiro em espécie. De acordo com a reportagem, um episódio ocorrido em novembro de 2024 teria envolvido cerca de R$ 5 milhões transportados em malas em um jatinho.

“Mais grave ainda quando o relatório menciona movimentação de dinheiro vivo em malas transportadas em aeronaves fretadas e registra 232 contatos entre ACM Neto e o empresário Marcos Moura, segundo a investigação”, afirmou Marta.

Segundo as informações divulgadas sobre o relatório, Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, é apontado como um dos principais intermediários do esquema investigado. A PF teria identificado 232 contatos telefônicos entre Moura e ACM Neto entre agosto e dezembro de 2024. A investigação também teria registrado o relato de um piloto que afirmou ter visto cinco ou seis malas sendo colocadas em uma aeronave.

Marta afirmou que as informações exigem uma resposta do candidato do União Brasil. “ACM Neto tem que explicar para a Bahia. Não basta negar as acusações ou dizer que existe uma tentativa de interferência eleitoral. Diante da gravidade do que consta no relatório da PF, a população tem o direito de cobrar respostas e transparência”, escreveu.

O que diz a investigação

Conforme as informações divulgadas pelo ICL sobre o relatório da PF, a investigação estima que o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Os investigadores apuram suspeitas relacionadas a contratos públicos que teriam sido superfaturados, além de possíveis esquemas de corrupção, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

O documento também teria reunido mensagens e ligações que, segundo a PF, indicariam influência de integrantes do grupo na escolha de integrantes do secretariado da Prefeitura de Belo Horizonte durante a gestão de Fuad Noman.

A investigação cita ainda contratos nas áreas de educação e saúde e empresas que teriam sido favorecidas em processos sob suspeita. Segundo a PF, em determinados casos, representantes de empresas teriam participado da elaboração de editais e combinado previamente valores de contratos.

Apesar de o relatório mencionar “fundadas suspeitas” de que a organização seria encabeçada por ACM Neto, o político não foi indiciado pela Polícia Federal. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Nunes Marques.

ACM Neto nega envolvimento

ACM Neto já negou relação com as irregularidades investigadas. Em manifestação anterior, o político afirmou que a divulgação das informações seria uma tentativa de interferência no processo eleitoral e classificou os episódios como “vazamentos seletivos”. A defesa do ex-prefeito de Salvador sustenta que a divulgação teria como objetivo associar o nome de ACM Neto a fatos com os quais ele não teria envolvimento.

Através das redes sociais, na quarta-feira (30), Neto utilizou as redes sociais para se pronunciar sobre as críticas que tem recebido envolvendo a Operação Overclean. No vídeo, Neto afirmou que seus adversários apelaram para a “baixaria” na reta final da campanha.

“Agora, confesso: para chegar a esse nível de baixaria, para chegar a esse nível de ataque, talvez seja a primeira vez em minha vida. Os nossos adversários estão percebendo que daqui a quatro dias a Bahia vai decidir por uma nova história e que, depois de 20 anos no poder, eles vão dar espaço para uma nova política, para novas ideias e para esse desejo de mudança do nosso povo”, afirmou o político a caminho de Itapetinga, onde participa de mais um ato de campanha.

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