ICL: Esquema supostamente liderado por ACM Neto transportou dinheiro em jatinho

Foto: Divulgação

Mais detalhes foram divulgados sobre o relatório da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação OverClean, que aponta ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, como suposto líder de uma organização investigada por fraudes em contratos públicos, corrupção, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. O site ICL Notícias apurou que o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão. O documento afirma que o grupo teria utilizado contratos superfaturados para obter recursos públicos e cita a atuação de empresários e agentes ligados à administração pública de Belo Horizonte.

Entre os elementos reunidos pela investigação estão mensagens e ligações que, segundo a PF, indicariam a influência do grupo na escolha de integrantes do secretariado da Prefeitura de Belo Horizonte durante a gestão de Fuad Noman. O empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, aparece como um dos principais intermediários. Em uma conversa registrada no celular do empresário, Noman teria apresentado opções de secretarias e pedido que Moura escolhesse quais áreas gostaria de indicar. Após afirmar que conversaria com Antonio Rueda e ACM Neto, Moura falou por telefone com o político baiano.

A área da educação está entre os setores investigados. Conforme o relatório, empresas como Brasil Sustentável, Iptech Soluções Integradas e Trinity Tecnologia Educacional teriam sido favorecidas em contratos que somam dezenas de milhões de reais. A PF sustenta que, em alguns casos, representantes empresariais teriam participado da elaboração dos próprios editais, além de combinar previamente valores. Também são mencionados contratos envolvendo o Grupo Movimenta e a LarClean Saúde.

A investigação aponta ainda que o grupo teria utilizado aeronaves fretadas para transportar dinheiro em espécie entre São Paulo e Salvador. Um dos episódios ocorreu em novembro de 2024, quando, segundo a PF, aproximadamente R$ 5 milhões teriam sido levados em malas a bordo de um jatinho. O piloto ouvido pelos investigadores relatou ter visto entre cinco e seis malas sendo colocadas na aeronave. Durante o deslocamento, Marcos Moura teria mantido contato telefônico com ACM Neto. A PF contabilizou 232 contatos entre os dois entre agosto e dezembro de 2024 e também identificou outro homem, Gabriel Mascarenhas, como suposto transportador de grandes quantias em dinheiro vivo.

Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados pela PF em agosto sob suspeitas de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro em uma investigação relacionada a desvios de emendas parlamentares. Apesar de o relatório mencionar “fundadas suspeitas” de que a organização seria encabeçada por ACM Neto, o político não foi indiciado. O caso é relatado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Kassio Nunes Marques.

Em manifestação anterior, o ex-prefeito de Salvador negou qualquer relação com as irregularidades. Afirmou que a divulgação das informações representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral e classificou os episódios como “vazamentos seletivos”. A defesa sustenta que o objetivo seria associar seu nome a fatos com os quais não teria envolvimento.

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