Neto diz que adversários apelaram à “baixaria” após PF apontá-lo como liderança de organização

Foto: Divulgação

A quatro dias do primeiro turno, o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) utilizou as redes sociais, nesta quarta-feira (30), para se pronunciar sobre a notícia veiculada na CNN Brasil, que identificou o ex-prefeito como suposta liderança de uma organização criminosa dedicada a desviar recursos públicos por ajustes superfaturados. No vídeo, Neto afirmou que seus adversários apelaram para a “baixaria” na reta final da campanha.

A declaração ocorre depois de a CNN divulgar relatório sigiloso da Operação Overclean no qual a Polícia Federal identifica ACM Neto como suposta liderança da organização. O documento tem caráter investigativo e não representa condenação judicial.

“Agora, confesso: para chegar a esse nível de baixaria, para chegar a esse nível de ataque, talvez seja a primeira vez em minha vida. Os nossos adversários estão percebendo que daqui a quatro dias a Bahia vai decidir por uma nova história e que, depois de 20 anos no poder, eles vão dar espaço para uma nova política, para novas ideias e para esse desejo de mudança do nosso povo”, afirmou o político a caminho de Itapetinga, onde participa de mais um ato de campanha.

Segundo a apuração, dados extraídos do celular do empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, registraram 232 contatos com o político entre agosto e dezembro de 2024. Para os investigadores, a proximidade entre ambos reforçaria a tese de que ele teria exercido papel de comando no grupo para obter verbas públicas por meio de contratos supostamente superfaturados.

O inquérito reúne suspeitas de direcionamento de licitações e fraudes em contratações da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Integrantes do suposto grupo teriam ocupado posições estratégicas na administração municipal para favorecer empresas. Ao menos três contratos analisados ultrapassam R$ 80 milhões. A apuração também alcança pessoas que passaram pela gestão de ACM Neto em Salvador, entre elas Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Belo Horizonte e ex-integrante da administração soteropolitana.

No decorrer das diligências, a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para busca e apreensão contra o candidato, além do bloqueio de bens e valores de até R$ 77,8 milhões. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deu parecer favorável. O ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, negou a medida por considerar insuficientes os elementos apresentados. A decisão não encerrou o inquérito sobre as suspeitas. Na operação, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo Bahia e Minas Gerais.

Em manifestação anterior, ACM Neto negou qualquer relação com as irregularidades. Afirmou que a divulgação das informações representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral e classificou os episódios como “vazamentos seletivos”. A defesa sustenta que o objetivo seria associar seu nome a fatos com os quais não teria envolvimento.

“A gente já está aqui indo para Itapetinga, e eu tenho certeza que hoje vai ser mais um daqueles dias de campanha. Aliás, uma campanha que tem emocionado a todos nós, porque a gente vê as pessoas indo para a rua com vontade, com garra, sabe aquela coisa, das pessoas dizerem, ‘Neto, a gente quer mudança, chegou a hora de mudar’. E a onda da mudança está tomando conta de toda a Bahia”, completou Neto.

O ex-prefeito ressaltou que a urna vai apontar a vitória da mudança no próximo domingo. “Mas a urna é que diz tudo, e a urna vai dizer tudo no próximo domingo, porque só faltam quatro dias para a gente conseguir libertar a Bahia e começar a construir uma nova história. Eu conto com todos vocês, vamos à luta, com toda a energia, com fé, com disposição, com vontade, com entusiasmo, porque essa é nossa, essa vitória é a vitória da mudança da Bahia”, salientou.

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