A Polícia Federal (PF) identificou o candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, como suposta liderança de uma organização criminosa dedicada a desviar recursos públicos por ajustes superfaturados. A avaliação está em relatório sigiloso da Operação Overclean, que também mira o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. O documento foi obtido e divulgado pela CNN Brasil. A conclusão é investigativa e não representa condenação judicial.
Dados extraídos do celular de Moura registraram 232 contatos com o político entre agosto e dezembro de 2024. Para os investigadores, a proximidade entre ambos reforça a tese de que ele teria exercido papel de comando no grupo para obter verbas públicas por meio de contratos supostamente superfaturados.
A apuração reúne suspeitas de direcionamento de licitações e fraudes em contratações da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Integrantes do suposto grupo teriam ocupado posições estratégicas na administração municipal para favorecer empresas. Ao menos três contratos analisados ultrapassam R$ 80 milhões.
O inquérito também alcança pessoas que passaram pela gestão do político em Salvador. Entre os investigados está Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Belo Horizonte e ex-integrante da administração soteropolitana.
No decorrer das diligências, a corporação pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para busca e apreensão contra o candidato, além do bloqueio de bens e valores de até R$ 77,8 milhões. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deu parecer favorável. O ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, negou a medida por considerar insuficientes os elementos apresentados. A decisão não encerrou o inquérito sobre as suspeitas.
Na operação, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo Bahia e Minas Gerais. Em manifestação anterior, ele negou qualquer relação com as irregularidades. Afirmou que a divulgação das informações representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral e classificou os episódios como “vazamentos seletivos”. A defesa sustenta que o objetivo seria associar seu nome a fatos com os quais não teria envolvimento.










