Operação investiga tortura dentro da sede da Bamor

Foto: Vitor Barreto/SSP

Integrantes da presidência e da diretoria da Torcida Organizada Bamor são alvos de uma operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (28) pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e forças de segurança pública. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em Salvador. Um policial militar também está entre os alvos. Conforme a TV Bahia, nove pessoas foram presas até o momento.

Segundo o MP-BA, as investigações apuram a prática de tortura física e psicológica contra pelo menos duas pessoas dentro da sede da torcida organizada, em julho deste ano. As vítimas teriam sido submetidas a agressões e ameaças para confessar supostas irregularidades.

De acordo com as investigações, a violência teria durado horas e incluído sufocamento e uma simulação de afogamento, além do uso de tacos de beisebol, martelo e faca. Também são investigadas suspeitas de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.

O caso veio a público em julho, quando um analista de sistemas registrou um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris), em Salvador. Ele afirmou ter permanecido por cerca de quatro horas na sede da Bamor sob agressões físicas e psicológicas após ser chamado para prestar esclarecimentos sobre uma suposta fraude envolvendo um sistema desenvolvido para a torcida.

Segundo o relato registrado à época, o homem teria sido agredido, ameaçado e roubado durante o período em que esteve no imóvel. Ele acusou integrantes da torcida de utilizar um taco de golfe e um alicate nas agressões e relatou ter sido submetido a asfixia com um saco plástico e a uma simulação de afogamento.

O analista também afirmou que os envolvidos acessaram seu celular, visualizaram conversas e aplicativos bancários e copiaram fotografias de familiares. Conforme o boletim de ocorrência, R$ 5.578,18 teriam sido retirados de sua conta bancária. Ele ainda relatou ter sofrido lesões no rosto, joelhos, cotovelos, tornozelos e costas.

Na ocasião, o homem disse ter sido chamado à sede da torcida para esclarecer uma suposta fraude relacionada a um sistema desenvolvido para a Bamor. Segundo o registro policial, o prejuízo atribuído às supostas irregularidades era estimado em R$ 3 mil. O analista negou participação no esquema e afirmou ter compartilhado sua senha com um dos envolvidos para atividades relacionadas ao projeto.

A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-BA, em conjunto com o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), a Força Correcional Especial Integrada (Force), da Corregedoria-Geral da Secretaria da Segurança Pública (SSP), e unidades das polícias Civil e Militar.

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