O cantor Robyssão, conhecido por sucessos como “O Poder Está na Tcheca”, “Chuva de Perereca” e “Balança o Rabinho”, voltou aos holofotes da mídia baiana após lançar, nesta quarta-feira (2), uma música inusitada dedicada ao complexo de Auschwitz, o maior campo de concentração e extermínio nazista da Segunda Guerra Mundial.
A faixa, compartilhada no Instagram, surgiu durante uma viagem de férias do artista pela Europa. Antes de apresentar a canção, Robyssão explicou a inspiração: “Essa música me emociona muito, porque eu realmente fui nas minhas férias para Lisboa, em Portugal, e de lá conheci a Grécia, a Itália, fui para Ibiza na Espanha, aí queria ir ou para Lituânia, ou Polônia, ou Rússia. Decidi ir pra Polônia, quando eu cheguei fiquei muito triste em um lugar chamado Auschwitz, e essa é a música.”
A repercussão, no entanto, foi imediata e negativa. Internautas criticaram duramente a abordagem do cantor em meio a um cenário geopolítico delicado. “Imagine quando ele conhecer a história dos próprios ancestrais?”, questionou um usuário. “Imagina se ele conhecer a história dos nossos povos originários”, acrescentou outro.
A crítica mais contundente veio de um seguidor que destacou a ironia da escolha do local de gravação: “Dentre tantas esquisitices nesse vídeo, o mais esquisito pra mim foi ele, sentado no Pelourinho, pegar o nosso Samba-reggae — que geralmente é tocado cantando músicas como ‘Faraó’ (que para os judeus o Egito foi um grande inimigo) e ‘Ralé’ (que fala que ‘Jesus desde menino é Palestino’) — e fazer o protesto inverso, prestando homenagem aos judeus num momento em que Israel está bombardeando palestinos”.
Outro internauta reforçou: “Engraçado como nós, negros, não conhecemos nossa própria história. Robyssão ficou comovido com o Holocausto — que foi uma coisa horrível sem precedentes —, mas a nossa história do povo preto arrancado do continente, trazido em navios negreiros, forçado ao trabalho escravo… Por que não fazemos músicas e artes para lembrar desses acontecimentos?”.
Robyssão rebateu algumas das críticas recebidas nas redes sociais explicando sua escolha artística. O cantor justificou a gravação no Pelourinho, em Salvador, um dos mais emblemáticos símbolos da violência colonial e da escravidão no Brasil.
“O Pelourinho foi palco de violência colonial e carrega o simbolismo histórico de ser um local de profundo sofrimento. Por este motivo, escolhi gravar neste local”, afirmou. E completou, em tom de desabafo: “Vale informar que eu tenho crise de ansiedade também quando eu vou ao Pelourinho.”

O cantor também rebateu as acusações de que teria ignorado a história negra brasileira, citando uma longa lista de artistas baianos que, segundo ele, já perpetuam essa memória.
“Eu cresci ouvindo a história dos meus ancestrais cantada pelas bandas Olodum, Araketu, Timbalada, Muzenza, Banda Mel, Margarete Menezes, Tonho Matéria… Praticamente todos os artistas da Bahia disseminaram a história do povo africano e afins. Se você ainda não conhece as bandas que eu mencionei, sugiro que pesquise”, disparou.
E concluiu com uma declaração que promete manter a polêmica em alta: “Entretanto, eu sou o primeiro artista a cantar a história dos semitas.”
Entre as mensagens de apoio e críticas, uma coisa é certa: a música segue dando o que falar nas redes. A publicação no instagram já acumula milhares de visualizações, mais de 11 mil curtidas e cerca de mil comentários.










