O episódio envolvendo duas mulheres seminuas em um carro de som durante uma carreata do candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), na última sexta-feira (28), no bairro de São Cristóvão, em Salvador, ainda segue gerando reações negativas entre políticos nesta segunda-feira (31).
O candidato ao Senado pelo PT, Rui Costa, classificou a situação como inadequada e disse estar indignado. Em entrevista à rádio Salvador FM, o ex-governador afirmou que a exposição das mulheres “é uma vergonha para a Bahia” e associou o ocorrido ao contexto de crescimento da violência contra a mulher.
“Um dia, às 5 horas da tarde, bota a mulher pelada numa caminhada. No outro dia, 8 horas da manhã tá sentado, ajoelhado, rezando numa igreja evangélica”, criticou, chamando a campanha adversária de “fake”.
Rui Costa também estendeu as críticas à estratégia política da oposição. Segundo ele, os adversários tentariam esconder do eleitor a vinculação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao citar a ausência do nome do presidenciável no primeiro programa eleitoral da chapa. O petista rebateu ainda as críticas feitas pela oposição sobre a vinda do presidente Lula à Bahia, questionando se “trazer o seu candidato a presidente para o seu estado é desespero”.
Além disso, o candidato ao Senado mencionou promessas que, segundo ele, não foram cumpridas por ACM Neto durante seus dois mandatos como prefeito de Salvador, como a construção de 12 policlínicas — das quais, afirmou, apenas uma teria sido entregue — e a contratação de guardas municipais, que não teria ocorrido.
A equipe de ACM Neto ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o assunto até o fechamento desta edição. No entanto, o deputado estadual Penalva (PP), aliado do candidato, manifestou-se em nome da coordenação. Ele negou que a campanha tenha autorizado ou tido conhecimento prévio da ação com as mulheres seminuas.
Segundo Penalva, a iniciativa partiu exclusivamente de um eleitor que participava da carreata, sem “qualquer consulta, conhecimento prévio ou autorização da coordenação da campanha”. O deputado lamentou o episódio e pediu desculpas. “Lamento profundamente o episódio e peço desculpas pelo constrangimento causado a companheiros, companheiras e todas e todos da sociedade que possam ter se sentido desrespeitados ou desconfortáveis com a situação”, afirmou.









